Fruto asiático possui concentração de licopeno até 76 vezes superior à do tomate comercial
O fruto gac, originário do Sudeste Asiático, possui alta concentração de carotenoides, com níveis de licopeno até 76 vezes superiores aos do tomate. A presença de gorduras na polpa facilita a absorção desses nutrientes, motivando estudos para uso em cosméticos, suplementos e corantes naturais
O fruto gac (*Momordica cochinchinensis*), originário do Sudeste Asiático, tornou-se foco de investigações na ciência dos alimentos devido à densidade incomum de compostos bioativos em sua composição. Pertencente à família das cucurbitáceas — a mesma do melão e da abóbora —, a planta trepadeira produz um fruto de casca espessa e coloração que transita entre o laranja e o vermelho intenso.
O principal interesse científico concentra-se no arilo, a polpa vermelha e oleosa que envolve as sementes. Um estudo de 2004, publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry e disponibilizado pelo USDA Agricultural Research Service, identificou que essa região concentra níveis excepcionalmente altos de carotenoides, com destaque para o beta-caroteno e o licopeno. Levantamentos do próprio USDA indicam que o teor de licopeno no arilo do gac maduro pode ser mais de 76 vezes superior ao do tomate comercial, enquanto outras análises apontam a diferença em até 70 vezes, a depender do método de extração.
A singularidade do gac reside não apenas na quantidade, mas na qualidade da entrega desses nutrientes. Diferente de diversas fontes vegetais, a polpa do fruto possui uma fração lipídica significativa. Como os carotenoides são lipossolúveis, a presença natural de gorduras na matriz do fruto favorece a biodisponibilidade e a absorção desses compostos pelo organismo, sem a necessidade de complementos alimentares externos.
Além do licopeno, reconhecido por propriedades antioxidantes, o fruto apresenta altas concentrações de beta-caroteno, precursor da vitamina A, essencial para a manutenção de tecidos, sistema imunológico e visão. Outros carotenoides também foram identificados, ampliando o perfil nutricional da fruta.
Essas características impulsionaram a aplicação do gac em setores industriais. O óleo extraído da polpa é estudado para a composição de suplementos, cosméticos e alimentos funcionais. Devido à pigmentação intensa, o fruto também é avaliado como substituto natural para corantes artificiais.
Embora o uso do gac esteja consolidado na cultura do Vietnã, onde é utilizado em pratos festivos como o arroz *xôi gấc*, a fruta ainda é pouco difundida globalmente. Pesquisas indexadas no PubMed e outros estudos laboratoriais continuam a explorar os efeitos desses compostos em processos biológicos. A ciência observa que a concentração final de carotenoides pode variar conforme o processamento do óleo e fatores ambientais, o que torna a padronização e a produção em larga escala os principais desafios atuais para a expansão do seu uso.