Ciência

Fruto da Amazônia possui concentração de vitamina C superior à da laranja

08 de Abril de 2026 às 18:18

O camu-camu, fruto amazônico, possui concentração de vitamina C entre 2.400 mg e 3.000 mg a cada 100 g de polpa. Pesquisas identificaram a presença de flavonoides, antocianinas, carotenoides e compostos fenólicos na espécie. A comercialização ocorre prioritariamente via extratos, polpas e sucos devido à alta acidez e perecibilidade do fruto

O camu-camu (*Myrciaria dubia*), fruto nativo da Amazônia, consolidou-se como objeto de investigação científica consistente desde o ano 2000, com pesquisas conduzidas por instituições como a Universidade Estadual de Maringá. O principal diferencial da espécie é a concentração excepcional de vitamina C, que, conforme estudo publicado nos Arquivos Latinoamericanos de Nutrición, pode variar entre 2,4 e 3,0 g por cada 100 g de polpa, o que equivale a 2.400 a 3.000 mg.

Essa densidade de ácido ascórbico supera amplamente a de frutas consumidas globalmente. Para fins comparativos, dados do USDA utilizados pelo NIH indicam que a laranja crua fornece cerca de 53,2 mg de vitamina C por 100 g. Na prática, o camu-camu pode concentrar dezenas de vezes mais esse nutriente, essencial para a síntese de colágeno e para a ação antioxidante do organismo, embora os teores oscilem conforme a origem do fruto, seu processamento e o estágio de maturação.

A composição química da planta é influenciada por seu habitat. O camu-camu cresce em áreas alagáveis, nas margens de rios e igarapés, permanecendo parcialmente submerso durante boa parte do ano. Esse ambiente, com variações de nutrientes e oxigenação, favorece a formação de compostos bioativos. A planta atinge entre 2 e 8 metros de altura e produz frutos pequenos, com cores que variam do vermelho ao roxo escuro, colhidos geralmente em períodos de cheia via embarcações.

Além da vitamina C, a fruta possui um perfil químico complexo. Um estudo de 2021, realizado pela Universidade Federal de Roraima com a Embrapa em Cantá (RR), identificou a presença de flavonoides, antocianinas, carotenoides e compostos fenólicos totais. A interação entre esses elementos e o ácido ascórbico potencializa a atividade antioxidante, superando a de outras frutas tropicais e atraindo a atenção de áreas como a farmacologia e a tecnologia de alimentos para o estudo do estresse oxidativo.

Apesar do potencial, a escala global de consumo enfrenta barreiras logísticas e biológicas. A alta acidez e a sensibilidade pós-colheita tornam a fruta altamente perecível, dificultando o transporte. O sabor intensamente ácido também limita o consumo *in natura*, concentrando a comercialização em extratos, polpas congeladas e sucos.

Atualmente, o interesse migrou do campo acadêmico para o industrial, com empresas de suplementos e alimentos utilizando a fruta como ingrediente funcional. Enquanto isso, a ciência segue investigando aplicações experimentais em inflamação e saúde metabólica. Devido à sua importância ecológica em ecossistemas de várzea, a expansão comercial do camu-camu também levanta a necessidade de manejo sustentável para preservar o bioma amazônico.

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