Ciência

Fumaça de incêndios florestais aumenta o risco de AVC em idosos segundo estudo científico

05 de Agosto de 2026 às 06:04

Estudos indicam que a fumaça de incêndios florestais, rica em material particulado PM2,5, eleva riscos de AVC em idosos e causou média de 24.100 mortes anuais nos EUA entre 2006 e 2020. A inalação de metais pesados e substâncias cancerígenas está associada a doenças crônicas, câncer e complicações gestacionais

Fumaça de incêndios florestais aumenta o risco de AVC em idosos segundo estudo científico
Umit Bektas/Reuters

A exposição prolongada à fumaça de incêndios florestais pode provocar danos à saúde mais graves do que se acreditava anteriormente. Pesquisas recentes indicam que a inalação desses poluentes está ligada ao aumento de riscos de acidente vascular cerebral (AVC) em idosos, conforme estudo de Yang Liu publicado no European Heart Journal. Outro levantamento, divulgado na Science Advances, aponta que, entre 2006 e 2020, a fumaça de queimadas contribuiu para uma média de 24.100 mortes anuais nos Estados Unidos.

A toxicidade do material particulado

O principal agente agressor é o PM2,5, material particulado com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Essa substância, composta por poeira e fuligem, funciona como uma liga que atrai compostos orgânicos e metais tóxicos. Por serem minúsculas, essas partículas atravessam os pulmões e entram na corrente sanguínea, gerando inflamações em diversos órgãos.

A exposição ao PM2,5 está associada ao desenvolvimento de diabetes, demência, câncer, além de cardiopatias e doenças respiratórias, como a asma. O risco é ainda maior para gestantes, podendo resultar em baixo peso ao nascer e partos prematuros. A toxicidade varia conforme a localização do fogo, mudando se a queima ocorre em áreas rurais ou se atinge zonas urbanas.

Substâncias químicas e metais pesados

Uma investigação conduzida por Johnson com civis e bombeiros expostos à fumaça analisou como toxinas afetam as células imunológicas, elevando a predisposição a doenças crônicas e infecções. A equipe identificou a presença de metais pesados, como cádmio e mercúrio, além de substâncias cancerígenas e os PFAS (químicos eternos). Estes últimos são materiais sintéticos comuns em construções e produtos cotidianos, vinculados a distúrbios metabólicos e neoplasias.

A periculosidade da fumaça aumenta com o tempo devido a reações químicas. Estudos realizados na Grécia demonstram que a toxicidade pode ser quatro vezes maior nos dias seguintes ao início do incêndio. Além disso, a poluição pode percorrer milhares de quilômetros, afastando-se da origem do fogo.

Impactos globais e prevenção

O alcance transcontinental dessa poluição ficou evidente nos incêndios do Canadá em 2023, quando 6 mil focos consumiram 15 milhões de hectares. A dispersão do PM2,5 atingiu a Ásia, a Europa e toda a América do Norte. Estimativas de um artigo de setembro de 2025 relacionam esse evento a 5.400 óbitos na América do Norte e cerca de 64.300 mortes por doenças crônicas somando as regiões norte-americana e europeia.

Apesar da gravidade, as emissões industriais, veiculares e a queima de combustíveis domésticos ainda representam a maior carga de problemas de saúde pública devido à exposição diária.

Para mitigar os riscos, especialmente para crianças, idosos e doentes crônicos, as recomendações incluem:

  • Permanecer em locais fechados durante e após as queimadas;
  • Utilizar filtros de ar e máscaras do tipo N95;
  • Manter estoques de inaladores e medicamentos de emergência;
  • Limpar propriedades para remover materiais inflamáveis;
  • Organizar monitoramento comunitário para detecção precoce de focos de incêndio.

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