Ciência

Geleira Alpina Revela Registros Climáticos e Humanos Preservados por 6.000 Anos em Geladas Montanhas Europeias

13 de Março de 2026 às 12:09

Um estudo publicado na revista Frontiers in Earth Science revelou que o derretimento acelerado do casquete glaciar Weißseespitze está trazendo à tona registros ambientais aprisionados no gelo há cerca de 6.000 anos. A análise desses núcleos contidos nos cilindros congelados permitiu aos cientistas estudar como evoluíram o clima e a atividade humana antes da industrialização, incluindo episódios de incêndios naturais e poluição gerada por atividades humanas. A perda do geleira preocupa os pesquisadores, pois implica na desaparecimento de séculos de informações climáticas armazenadas no gelo

Geleira Alpina Revela Registros Climáticos e Humanos Preservados por 6.000 Anos em Geladas Montanhas Europeias
Andrea Fischer

Em plena região dos Alpes Orientais, onde a fronteira entre Áustria e Itália se encontra em um ponto estratégico, há algo que está sendo revelado ao mundo da ciência. O geleiras alpinos têm sido fontes de informações inestimáveis para os pesquisadores nesse local específico.

Um estudo recentemente publicado na revista científica Frontiers in Earth Science trouxe à luz um achado fascinante: o derretimento acelerado do casquete glaciar Weißseespitze está trazendo à tona registros ambientais aprisionados no gelo há cerca de 6.000 anos.

Localizado a uma altitude impressionante de aproximadamente 3.500 metros, o geleira de Weißseespitze tem sido objeto de estudo por equipes internacionais desde 2019 até o ano passado. O objetivo dessas expedições era perfurar o gelo e extrair núcleos que alcançassem a rocha base.

Esses cilindros congelados contêm camadas acumuladas ao longo de séculos, permitindo aos cientistas estudar como evoluíram o clima e a atividade humana antes da industrialização. A análise dessas camadas revelou sinais atmosféricos desde a época do Império Romano até meados do século XVII.

Os compostos detectados incluem elementos como chumbo, zinco e manganês, além de levoglucosano, uma substância que aparece quando a madeira queima durante incêndios florestais ou queimadas agrícolas. Esses vestígios permitem identificar episódios de incêndios naturais, expansão agrícola ou poluição gerada por atividades humanas.

Um dos achados mais notáveis é um aumento significativo do levoglucosano por volta de 1128, sugerindo episódios recorrentes de incêndios durante o período medieval. Esse período climático foi marcado por seca em várias regiões da Europa.

Além disso, a análise detectou picos de arsênio entre os séculos XI e XIV, e novamente entre os séculos XV e XVII. Os pesquisadores acreditam que esses sinais podem estar relacionados à atividade mineradora e metalúrgica na região.

No entanto, o rápido retrocesso do geleira preocupa os cientistas. Em 2025, eles constataram que o casquete glaciar havia perdido cerca de 4,5 metros de espessura desde a primeira expedição realizada apenas seis anos antes. Essa perda implica na desaparecimento de séculos de informações climáticas armazenadas no gelo.

A paleoclimatóloga Azzurra Spagnesi destaca que o núcleo de gelo condensa milhares de anos de história ambiental em apenas alguns metros. "Com este núcleo de gelo, temos milhares de anos comprimidos em apenas 10 metros de gelo", afirma ela.

Essa descoberta é um lembrete do valor dos geleiras alpinos como fontes naturais de informações sobre o passado ambiental da Terra.

Com informações de El Confidencial

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