Ciência

Hábito de tirar capturas de tela pode prejudicar a capacidade de retenção de informações do cérebro

18 de Agosto de 2026 às 06:03

Estudo da Universidade de Binghamton indica que realizar capturas de tela reduz a retenção de informações no cérebro. A pesquisa revelou que voluntários que salvaram imagens de obras de arte tiveram maior dificuldade em recordar detalhes do conteúdo

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Hábito de tirar capturas de tela pode prejudicar a capacidade de retenção de informações do cérebro
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O hábito de realizar capturas de tela para armazenar informações pode comprometer a capacidade de retenção do cérebro. Um estudo conduzido pela Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica Memory & Cognition, revelou que o ato de registrar digitalmente um conteúdo tende a torná-lo menos memorável.

Durante a pesquisa, voluntários analisaram obras de arte e, em cenários específicos, efetuaram o print das imagens antes de serem questionados sobre o que haviam visto. O resultado indicou que aqueles que salvaram as imagens tiveram maior dificuldade em recordar os detalhes do conteúdo.

O impacto no processamento cerebral

A perda de memória ocorreu mesmo quando os pesquisadores simplificaram o processo de registro ou concederam mais tempo para a observação das obras. Esse dado afasta a ideia de que a falha na lembrança seja causada apenas pela distração momentânea ao operar o aparelho.

Os cientistas trabalham com a hipótese de que o cérebro reduza o esforço de memorização ao perceber que a informação está salva no dispositivo, transferindo a função de "lembrar" para o celular. No entanto, a pesquisa demonstrou que esse não é o único fator, já que a memória também foi prejudicada em testes onde os participantes sabiam que as imagens seriam deletadas logo em seguida.

Outra possibilidade investigada é que a interrupção da experiência para realizar a captura cause um desligamento parcial do indivíduo em relação ao que está sendo observado. Em certos casos, os voluntários que fizeram as capturas sequer conseguiram distinguir se a obra havia sido apenas vista ou se foi efetivamente salva.

Diferença entre registro digital e anotação

O estudo ressalta que a memória não é prejudicada em todas as situações. As capturas de tela permanecem úteis quando são feitas com intenção clara e consultadas posteriormente. O risco reside em utilizar o registro como um substituto da lembrança, acumulando arquivos no aparelho sem revisá-los.

A pesquisa estabelece um contraste entre o print e o ato de escrever. Anotar informações exigiria a seleção, a organização e a relação do conteúdo, processos cognitivos que auxiliam o cérebro a fixar a informação de maneira mais eficiente.

De acordo com as conclusões do estudo, o simples ato de apertar um botão para salvar dados e experiências pode prejudicar a retenção de informações, gerando um efeito negativo que pode extrapolar o conteúdo capturado.

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