Ciência

Hubble captura imagens de região com formação de estrelas na Grande Nuvem de Magalhães

09 de Setembro de 2026 às 06:17 2 min de leitura

O Telescópio Espacial Hubble registrou a região N44, na Grande Nuvem de Magalhães, identificando cerca de 500 mil estrelas. A área apresenta uma superbolha de 210 por 140 anos-luz, onde a energia de astros massivos estimula o surgimento de novas gerações estelares

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Hubble captura imagens de região com formação de estrelas na Grande Nuvem de Magalhães
NASA/ESA/Hubble/D. Gouliermis

O Telescópio Espacial Hubble capturou imagens detalhadas de N44, uma região de intensa formação estelar situada na Grande Nuvem de Magalhães. Localizado a aproximadamente 160.000 anos-luz de distância, esse complexo de gás e estrelas, integrante de galáxias anãs que orbitam a Via Láctea, serve como modelo para compreender como estrelas massivas alteram o meio interestelar e estimulam o surgimento de novas gerações estelares.

A dinâmica da superbolha interestelar

A estrutura central de N44 é caracterizada por uma superbolha, uma cavidade imensa com dimensões de 210 por 140 anos-luz. Essa formação foi esculpida pela liberação massiva de energia de estrelas centrais, cujos ventos estelares e explosões de supernovas expulsaram o gás original da região.

O material deslocado acumulou-se nas bordas da cavidade, criando uma camada de gás comprimido. É nessa envoltura de poeira e gás denso que astrônomos identificaram o nascimento de novas estrelas, evidenciando um ciclo cósmico onde a atividade de astros mais antigos prepara o ambiente para a formação de novos corpos celestes.

Censo estelar e a radiação ultravioleta

Por meio de um programa de observação dedicado, o Hubble realizou um levantamento detalhado da região, catalogando cerca de 500 mil estrelas, além de objetos em primeiro plano. O censo identificou aproximadamente 30.000 estrelas de pré-secundária, que são astros jovens ainda sem a fusão estável de hidrogênio em hélio em seus núcleos.

A morfologia de N44 é influenciada pela radiação ultravioleta das estrelas massivas, que excita o gás da envoltura e gera o brilho da região. Esse processo revelou estruturas específicas, como a N44F, uma bolha interestelar menor moldada pelos ventos de uma única estrela quente e massiva, além de colunas de gás e poeira esculpidas pela pressão e radiação.

Laboratório cósmico fora da Via Láctea

A análise da Grande Nuvem de Magalhães é fundamental por apresentar um ambiente com baixa concentração de elementos mais pesados que o hélio. Essa composição torna a região um laboratório ideal para estudar a formação de estrelas de baixa massa sob condições distintas das encontradas na maior parte da Via Láctea.

O objetivo dos pesquisadores é mensurar o intervalo de tempo necessário para que uma nuvem de gás frio colapse em condensações densas até que ocorra a ignição da fusão nuclear no núcleo de uma estrela recém-nascida.

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