Hubble detecta luz ultravioleta em galáxia antiga que desafia a densa névoa do universo primitivo
O Telescópio Espacial Hubble detectou luz ultravioleta da galáxia MXDFz4.4, identificada 250 milhões de anos após a reionização cósmica. A análise integrou dados do Hubble, James Webb e Very Large Telescope para confirmar a distância do objeto. A emissão de radiação ocorreu devido ao ritmo de formação de estrelas dez vezes superior ao da Via Láctea
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O Telescópio Espacial Hubble identificou um sinal de luz ultravioleta vindo da galáxia antiga MXDFz4.4, um fenômeno considerado improvável devido à densa névoa de hidrogênio que caracterizava o universo primitivo. A detecção, detalhada no Astrophysical Journal, ocorreu em um período em que o cosmos ainda preservava marcas da época de reionização, fase em que o hidrogênio neutro preenchia o espaço entre as galáxias e bloqueava a passagem de fótons ultravioletas de alta energia.
A análise do objeto foi possível graças à integração de dados do Hubble, do Telescópio Espacial James Webb e do Very Large Telescope, do Observatório Europeu Austral. Por meio do instrumento MUSE, foi obtido um dos espectros mais profundos já registrados, utilizando a linha de emissão Lyman-alpha — característica do hidrogênio excitado — para confirmar a distância da galáxia. Os registros indicam que a MXDFz4.4 existia aproximadamente 250 milhões de anos após a transição cósmica que tornou o espaço transparente à luz.
O achado aconteceu durante a revisão de uma imagem profunda do Hubble, resultado de 40 horas de observação. Embora o sinal tenha surgido em poucas horas de análise, a confirmação de suas propriedades demandou meses de estudo. Ilias Goovaerts, pesquisador do Space Telescope Science Institute e autor principal do trabalho, destacou que a detecção é notável não apenas pela distância, mas pelo volume de matéria interestelar que a radiação precisou atravessar.
A natureza da MXDFz4.4 explica a saída da luz ionizante: apesar de possuir uma superfície 100 vezes menor que a da Via Láctea, a galáxia produz estrelas em um ritmo 10 vezes superior. Essa intensa concentração de estrelas jovens e massivas teria criado canais no gás circundante, permitindo que a radiação escapasse. Como não havia registros anteriores de luz ionizante em galáxias nesse estágio inicial, o caso sugere que surtos vigorosos de formação estelar podem ter sido fundamentais para dissipar a névoa de hidrogênio do universo primitivo.