Iceberg bloqueia rota de alimentação e causa morte de 15 mil filhotes de pinguins na Antártida
Um iceberg próximo à Ilha Coulman, na Antártida, causou a morte de cerca de 15 mil filhotes de pinguins-imperadores em 2025. O bloco de gelo bloqueou a rota de alimentação e aumentou a distância até o oceano para 14,9 quilômetros. O estudo foi publicado na *Nature Communications Earth & Environment
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Um iceberg encalhado próximo à Ilha Coulman, na Antártida, causou a morte de aproximadamente 15 mil filhotes de pinguins-imperadores ao bloquear a rota de alimentação da colônia durante a temporada de reprodução de 2025. O fenômeno foi detalhado em estudo publicado na Nature Communications Earth & Environment, liderado pelo pesquisador Jeong-Hoon Kim, do Instituto Coreano de Pesquisa Polar.
Impacto na sobrevivência dos filhotes
A análise de censos comparativos revelou uma queda drástica na população de filhotes vivos. Em 2024, foram contabilizados 21.242 indivíduos, número que recuou para 6.658 em 2025. Essa redução de 69% indica que 14.584 filhotes não sobreviveram, possivelmente devido à fome, enquanto os adultos enfrentavam dificuldades para transportar alimento do oceano até a colônia.
Barreiras geográficas e geométricas
O bloco de gelo permaneceu fixo ao norte da Ilha Coulman entre julho de 2025 e o início de janeiro de 2026. Esse posicionamento alterou a logística de deslocamento das aves, elevando a distância mínima até as águas abertas de 9,3 quilômetros, registrada em 2024, para 14,9 quilômetros em 2025.
Além do percurso prolongado, a geometria do iceberg criou uma armadilha física. Através de reconstruções tridimensionais, imagens de satélite e fotografias aéreas, a equipe de pesquisa observou que:
- Uma inclinação suave em um dos lados do iceberg induziu os pinguins a subirem em sua superfície.
- Ao tentarem atravessar o bloco, as aves encontravam uma queda abrupta de cerca de 20 metros.
- As concentrações de adultos nas bordas e no topo do gelo confirmaram que os animais precisavam recuar e buscar rotas alternativas após darem de cara com a parede intransponível.
O biólogo marinho Michael Polito, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, pontuou que a própria forma do iceberg aprisionou os adultos no momento do retorno ao ninho.
Perspectivas para a colônia
Embora o iceberg já tenha deixado a região, permitindo a normalização da dinâmica nas próximas temporadas, o evento acende um alerta sobre a fragilidade das colônias na Antártida. Polito ressalta que o enfraquecimento das plataformas de gelo pode aumentar o desprendimento de grandes massas de gelo, repetindo interferências semelhantes. Para Jeong-Hoon Kim, a observação desse evento foi uma experiência alarmante e inédita no monitoramento daquela colônia específica.