Ciência

Impactos acidentais de componentes da missão Perseverance revelam que o solo de Marte é pouco resistente

23 de Setembro de 2026 às 06:25 2 min de leitura

Impactos de componentes da missão Mars 2020 criaram cinco cráteres a noroeste do cráter Jezero, em Marte. O estudo publicado na Geophysical Research Letters utilizou esses detritos para constatar que o solo marciano é menos resistente do que modelos matemáticos previam. A análise indicou que a região possui material arenoso e pouco consolidado

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Impactos acidentais de componentes da missão Perseverance revelam que o solo de Marte é pouco resistente
NASA/JPL-Caltech/MSSS

A chegada do rover Perseverance a Marte resultou na criação acidental de cinco novos cráteres, que foram transformados em um experimento científico para analisar a composição do solo do planeta vermelho. Um estudo publicado na revista Geophysical Research Letters utilizou os impactos de componentes da missão Mars 2020 para observar a reação do terreno marciano ao ser atingido por objetos com massa, velocidade e composição rigorosamente conhecidas.

A origem dos impactos

As marcas foram geradas quando a nave ainda se encontrava a 1.300 km da superfície. O processo envolveu a liberação de dois dispositivos de lastro de tungstênio, com 77 kg cada, destinados à estabilização do veículo, além de fragmentos da etapa de cruzeiro, que pesavam aproximadamente 540 kg. Todo esse material atingiu a superfície a uma velocidade de 4,7 quilômetros por segundo, concentrando-se a cerca de 70 km a noroeste da borda do cráter Jezero, em uma área de antigos vales que convergem para o delta explorado pelo rover.

A identificação dos buracos foi realizada por meio de duas câmeras do Mars Reconnaissance Orbiter. As estruturas, inexistentes em registros anteriores a 2020, apresentavam padrões de refletividade que confirmavam a natureza recente dos impactos.

Análise da resistência do solo

A precisão dos dados permitiu que os pesquisadores cruzassem as dimensões dos cráteres e a distribuição do material expelido com simulações tridimensionais de física de impactos. A análise concluiu que duas das marcas foram causadas pelos lastros, enquanto as outras três derivaram dos fragmentos da etapa de cruzeiro.

O estudo revelou que o terreno marciano é significativamente menos resistente do que as previsões dos modelos matemáticos sugeriam. As leis padrão de formação de cráteres superestimaram o tamanho das marcas em cerca de uma ordem de magnitude, especialmente em casos de objetos densos que atingem superfícies pouco compactas com ângulos baixos — no caso da missão, a inclinação foi de aproximadamente 10 graus.

Conclusões geológicas

As simulações e a análise de imagens apontam que a coesão do material na região é de cerca de 7 quilopascal, característica de um solo arenoso e pouco consolidado. Esse dado é consistente com dificuldades de escavação registradas anteriormente pela sonda térmica da missão InSight.

A utilização desses detritos espaciais como ferramentas de medição permitiu aprimorar a compreensão sobre a resistência mecânica do solo de Marte, fornecendo dados essenciais para o planejamento de futuras missões espaciais.

Com informações de El Confidencial

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