Índia inaugura planta que utiliza calor de reatores nucleares para a produção de hidrogênio limpo
O Departamento de Energia Atômica da Índia inaugurou em Kalpakkam uma planta de hidrogênio que utiliza calor de reatores nucleares e um ciclo de cobre e cloro. A unidade, promovida pelo BARC, produz 150 litros normais de hidrogênio por hora, com meta de expansão para 3.000 litros
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2F881%2F494%2F21c%2F88149421c5bda02681b318e7e6a1967f.jpg)
O Departamento de Energia Atômica da Índia inaugurou, no Centro de Pesquisa Atômica Indira Gandhi, em Kalpakkam, Tamil Nadu, uma planta de demonstração voltada à produção de hidrogênio limpo. O diferencial do projeto é a substituição da eletrólise convencional por um ciclo termoquímico de cobre e cloro, que utiliza o calor de reatores nucleares para separar o hidrogênio da água, reduzindo a dependência de grandes volumes de eletricidade.
A operação é sustentada pelo Reator de Teste de Reprodução Rápida de Kalpakkam, unidade de 40 megawatts térmicos em atividade desde 1985. Por não ser uma usina comercial, o reator serve como banco de testes para materiais, combustíveis e tecnologias nucleares avançadas antes de sua implementação em larga escala. Nesse processo, o calor nuclear impulsiona reações químicas com compostos de cobre e cloro que quebram a molécula de água, resultando em H2 sem a emissão direta de CO2.
Embora a pegada de carbono seja comparável à do hidrogênio verde, o físico nuclear Anil Kakodkar, ex-presidente da Comissão de Energia Atômica, observa que a nomenclatura "verde" não se aplica, pois a fonte de energia é o calor nuclear e não fontes renováveis. Kakodkar destaca que o hidrogênio se tornou um vetor energético fundamental para a indústria, com importância similar à da eletricidade na transição energética global.
A iniciativa, promovida pelo Bhabha Atomic Research Centre (BARC), possui atualmente uma capacidade de produção de 150 litros normais de hidrogênio por hora, conforme detalhado em documento de 2025. O planejamento conjunto entre o BARC e o Departamento de Energia Atômica prevê a construção de uma instalação maior, com meta de atingir 3.000 litros normais por hora para viabilizar a aplicação comercial.
Para Ajit Kumar Mohanty, secretário do Departamento de Energia Atômica, a energia nuclear é ideal para a produção de hidrogênio em larga escala devido à sua capacidade de fornecer calor para processos de alta temperatura e eletricidade livre de carbono de forma confiável. O avanço integra o programa nuclear de três fases da Índia e a estratégia do país para ampliar a produção de energia própria.