Indústria farmacêutica gera até 182 quilos de resíduos para cada quilograma de medicamento produzido
A indústria farmacêutica gera cerca de 182 quilos de resíduos para cada quilo de medicamento produzido, com menos de 1% das matérias-primas resultando no princípio ativo. Para reduzir esse impacto e a dependência externa de insumos, o consórcio Impactive desenvolve a mecanoquímica, método que dispensa solventes tóxicos na fabricação de anti-inflamatórios e remédios contra o câncer
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A indústria farmacêutica enfrenta um desafio ambiental crítico devido ao uso intensivo de solventes na produção de fármacos. Atualmente, a fabricação de medicamentos gera um volume de resíduos desproporcional ao produto final: para cada quilograma de medicamento produzido, são gerados aproximadamente 182 quilos de resíduos, muitos dos quais possuem toxicidade elevada.
O impacto dos resíduos na produção farmacêutica
A maior parte desse volume provém de substâncias utilizadas durante o processo de síntese, mas que não integram a composição final do remédio. Estima-se que menos de 1% das matérias-primas empregadas resultem efetivamente no princípio ativo (API).
A variação na quantidade de detritos depende do fármaco, mas, no caso do ibuprofeno, a produção de um único quilo do medicamento gera cerca de 8,4 quilos de resíduos. Entre os compostos mais utilizados estão o acetonitrilo, a dimetilformamida, o diclorometano e o etanol. Tais substâncias apresentam riscos operacionais, como alta inflamabilidade e facilidade de evaporação, o que aumenta a probabilidade de fugas acidentais, explosões e incêndios, colocando em risco a segurança dos trabalhadores.
Regulação e riscos químicos
Devido à periculosidade, a gestão desses materiais é rigorosamente monitorada. A legislação da Agência Europeia de Medicamentos (EMA), especificamente a guia ICHQ3C, obriga o controle dos solventes utilizados na etapa final de fabricação que excedam os limites permitidos.
Os compostos são classificados por nível de perigo, sendo que os da classe 1 são considerados os mais perigosos e devem ser obrigatoriamente declarados. Embora o uso de solventes não seja comum na etapa de transformação do princípio ativo em comprimidos ou cápsulas, a prática ainda ocorre em alguns casos.
Alternativas tecnológicas e soberania produtiva
A dependência da Europa em relação a empresas terceiras para a produção de insumos tem causado a escassez de antibióticos e anti-histamínicos em farmácias, forçando a substituição por medicamentos equivalentes.
Para mitigar a dependência externa e reduzir o impacto ambiental, o consórcio internacional Impactive, composto por 17 parceiros de 10 países — incluindo a Espanha —, desenvolve a mecanoquímica. Esse método alternativo permite a fabricação de princípios ativos para medicamentos contra o câncer e anti-inflamatórios sem a necessidade de utilizar solventes tóxicos.