Inteligência artificial identifica 73 caldeiras vulcânicas submarinas anteriormente desconhecidas no fundo do mar
Um estudo liderado pela Universidade Paris-Saclay identificou 73 novas caldeiras vulcânicas submarinas por meio de inteligência artificial e análise de mapas batimétricos. A pesquisa, publicada na Nature Communications Earth & Environment, localizou 61 estruturas em interiores de placas tectônicas, nove em arcos vulcânicos e oito em dorsais oceânicas
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O uso de inteligência artificial no mapeamento do fundo do mar permitiu a identificação de 73 caldeiras vulcânicas submarinas anteriormente desconhecidas. Essas estruturas, caracterizadas por grandes depressões circulares resultantes do colapso de antigos vulcões, foram localizadas por meio de um estudo liderado pelo vulcanólogo Andrea Verolino, da Universidade Paris-Saclay, e publicado na revista *Nature Communications Earth & Environment*.
A detecção não ocorreu via expedições físicas, mas através da análise de mapas batimétricos da topografia oceânica. Para isso, a equipe adaptou um algoritmo originalmente desenvolvido para identificar crateras de impacto em Marte, transferindo a capacidade de reconhecimento de formas circulares para o ambiente marinho, onde a identificação de caldeiras em grandes profundidades é complexa.
O processo de filtragem foi rigoroso: o sistema apontou inicialmente 87.435 formações potenciais. Após a aplicação de filtros e revisão manual, os pesquisadores selecionaram 78 estruturas compatíveis. Como cinco delas já haviam sido documentadas anteriormente, o método foi validado para a busca de novos exemplares em regiões pouco exploradas.
Caso as novas estruturas sejam confirmadas, o volume de caldeiras submarinas conhecidas terá um salto expressivo, já que menos de 30 haviam sido descritas até então. A lista atual serve como uma base conservadora, passível de expansão conforme a obtenção de mapas com maior resolução e a realização de observações diretas.
A distribuição geográfica das caldeiras revela que 61 delas estão em regiões interiores de placas tectônicas, como cadeias de montes submarinos, enquanto nove foram encontradas em arcos vulcânicos e oito em dorsais oceânicas. A predominância em áreas interiores sugere que muitas dessas estruturas podem permanecer ocultas por estarem longe dos limites tectônicos habitualmente monitorados.
A identificação dessas caldeiras, que se formam quando o terreno afunda após o esvaziamento de parte da câmara magmática, é essencial para a avaliação de riscos vulcânicos submarinos, tema que ganhou relevância após a erupção de Hunga Tonga-Hunga Haʻapai em 2022. Embora o estudo não determine a atividade atual das estruturas, a localização exata permite priorizar áreas para exploração detalhada. Sete candidatas foram destacadas como prioridades devido à profundidade, localização e formato.
O conjunto de dados preenche uma lacuna de observação e estabelece um modelo reproduzível para a caracterização de vulcões submarinos, servindo de base para a preparação global contra riscos vulcânicos. O desafio seguinte consiste em diferenciar as cicatrizes geológicas antigas daquelas que ainda possuem conexão com sistemas vulcânicos ativos.