Ciência

Itália libera milhares de larvas de polvo para controlar a expansão do caranguejo-azul no Adriático

31 de Agosto de 2026 às 09:27 2 min de leitura

A Universidade de Bolonha e o governo de Emilia-Romaña liberaram 130 mil larvas de polvo-comum em Riccione e Cesenatico. A iniciativa Octo-Blu busca controlar a expansão do caranguejo-azul no Mar Adriático via reforço de predadores nativos

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Itália libera milhares de larvas de polvo para controlar a expansão do caranguejo-azul no Adriático
Antonio Casalini

Pesquisadores italianos implementaram uma estratégia de controle biológico para conter a expansão do caranguejo-azul no Mar Adriático. A iniciativa consiste em fortalecer a população do polvo-comum, espécie nativa e predadora, para equilibrar o ecossistema marinho afetado pela invasão do crustáceo originário das Américas, cuja presença cresceu significativamente na última década.

O projeto Octo-Blu

Liderada pela Universidade de Bolonha em parceria com o governo de Emilia-Romaña, a operação denominada Octo-Blu iniciou-se em 2024. O trabalho começou com uma etapa experimental focada na criação de polvos em suas fases iniciais de vida, evoluindo para a introdução de exemplares cultivados em ambiente controlado na natureza.

Durante o verão, a equipe liberou aproximadamente 130 mil larvas de polvo-comum nas regiões de Riccione e Cesenatico. Devido ao tamanho reduzido das larvas, que possuem apenas alguns milímetros, foram instalados abrigos artificiais para aumentar as chances de sobrevivência durante o período de maior vulnerabilidade do desenvolvimento.

Dinâmica de predação e equilíbrio ecológico

A viabilidade da medida baseia-se na dieta do cefalópode adulto. Um polvo-comum com cerca de 1 kg tem a capacidade de consumir até quatro caranguejos-azuis de tamanho médio por dia em condições ideais.

Antonio Casalini, técnico de pesquisa em aquicultura da Universidade de Bolonha, esclarece que a ação não introduz organismos exóticos ao ambiente, mas reforça a presença de um predador que já integra a cadeia alimentar local do Adriático.

Desafios de sobrevivência e metas

A eficácia da estratégia enfrenta o obstáculo da alta mortalidade larval. O ecólogo marinho Gianluca Sarà, da Universidade de Palermo, observa que a taxa de mortalidade de larvas de polvo pode chegar a 99,9%, o que pode limitar o impacto real da medida no ecossistema.

Para contrapor esse risco, os coordenadores do Octo-Blu apostam na resiliência e na alta capacidade reprodutiva da espécie, cujas fêmeas produzem centenas de milhares de ovos.

A meta do projeto não é a erradicação total do caranguejo-azul no Mediterrâneo, mas sim o controle populacional do invasor, atuando de forma complementar a outras frentes, como a pesca. A Itália manterá a produção e a liberação de novas larvas enquanto monitora se o reforço das populações nativas consegue restaurar o equilíbrio ecológico a longo prazo.

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