Ciência

James Webb detecta estrelas pequenas e revela maior massa em galáxias do universo primitivo

26 de Agosto de 2026 às 18:14 3 min de leitura

O Telescópio Espacial James Webb detectou estrelas pequenas e de baixa luminosidade em nove galáxias do universo primitivo. O estudo da Universidade de Leiden, publicado na Nature Astronomy, indica que a massa estelar dessas estruturas pode ser significativamente maior que as estimativas anteriores

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James Webb detecta estrelas pequenas e revela maior massa em galáxias do universo primitivo
Cheng et al. 2026

O Telescópio Espacial James Webb (JWST) identificou a presença de estrelas pequenas e de baixa luminosidade em nove galáxias do universo primitivo, revelando que essas estruturas cósmicas iniciais podem possuir uma massa estelar significativamente maior do que as estimativas anteriores sugeriam. O estudo, publicado na Nature Astronomy, indica que a luz intensa de estrelas massivas mascarava a existência dessas companheiras menos brilhantes, dificultando a detecção de grande parte da matéria estelar.

A detecção de massa oculta

A análise, conduzida por pesquisadores da Universidade de Leiden, utilizou a alta sensibilidade do James Webb para isolar sinais luminosos sutis que antes eram dominados por estrelas de maior massa. Tradicionalmente, a população estelar de uma galáxia é reconstruída por meio do estudo de seu espectro — a distribuição da luz captada. No entanto, a luminosidade das estrelas massivas costuma obscurecer a contribuição de objetos menores, criando a ilusão de que as galáxias primitivas eram menos densas.

Para validar a descoberta, a equipe integrou as observações do JWST com dados do Very Large Telescope (VLT). O foco foram nove galáxias que já haviam atravessado períodos intensos de formação estelar. Os resultados mostraram que a proporção de estrelas pequenas nessas galáxias era superior à encontrada atualmente na Via Láctea, desafiando hipóteses astronômicas mantidas por décadas.

Impacto nos modelos cosmológicos

A descoberta altera a compreensão sobre a massa total de sistemas antigos. Um dos exemplos analisados revela que uma galáxia formada menos de 1,5 bilhão de anos após o Big Bang pode conter até quatro vezes mais massa estelar do que se acreditava, devido a essa população de estrelas discretas.

Essa evidência questiona a premissa de que estrelas de diferentes massas nasceram em proporções constantes ao longo da história do cosmos. De acordo com a equipe de pesquisa, a distinção dessas características sutis só foi possível agora graças à combinação de espectros de alta qualidade, novas técnicas de análise e a capacidade de captação de luz do telescópio.

Implicações para a formação de planetas

Além de recalcular a massa das galáxias, o achado sugere consequências para a exoplanetologia. Como a maioria dos planetas orbita estrelas de pequeno porte, a existência de uma população massiva de estrelas pequenas no universo primitivo indica que a formação de planetas pode ter sido muito mais frequente e precoce do que se imaginava.

O próximo passo dos pesquisadores é aplicar essa metodologia de análise em galáxias ainda mais remotas, buscando compreender a natureza das primeiras estrelas a surgir no cosmos.

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