James Webb identifica fluxo de gás que pode interromper a formação de estrelas em galáxias antigas
O Telescópio James Webb identificou a expulsão de 1,5 bilhão de massas solares de gás no sistema de galáxias CRISTAL-02. O fluxo, impulsionado por supernovas e ventos estelares, supera a taxa de formação de novas estrelas. O estudo foi publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
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O Telescópio Espacial James Webb identificou um fluxo massivo de gás em um sistema de galáxias situado próximo ao amanhecer cósmico, revelando o mecanismo que pode interromper precocemente a formação de estrelas. A observação foca na CRISTAL-02, uma fusão galáctica datada de apenas 1 bilhão de anos após o Big Bang, cujos dados foram cruzados com registros do radiotelescópio Atacama Large Millimeter/submillimeter Array, no Chile.
O sistema CRISTAL-02, que possui uma massa estelar de aproximadamente 10 bilhões de sóis, atravessa as etapas finais de uma colisão entre múltiplas galáxias. Esse processo de fusão comprime nuvens gasosas e estimula a criação intensa de astros, mas simultaneamente gera condições que expulsam o material necessário para a manutenção desse ciclo. O estudo, publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, detalha a existência de uma nuvem de gás com cerca de 1,5 bilhão de massas solares que escapa do sistema a milhares de quilômetros por segundo.
Esse deslocamento de material é impulsionado por explosões de supernovas, morte estelar e ventos de estrelas jovens. A astrofísica Rebecca Davies, da Swinburne University of Technology e autora principal da pesquisa, observou que a velocidade com que esse vento expulsa o material é o dobro da taxa de formação de estrelas da galáxia.
Atualmente, a CRISTAL-02 produz cerca de 260 novas massas solares por ano, ritmo três vezes superior ao de galáxias com a mesma idade e massa. Contudo, a perda anual de gás supera 500 massas solares, o que representa uma taxa 20 vezes maior do que a registrada em sistemas massivos comparáveis.
O astrônomo Andreas Faisst, da Caltech e coautor do trabalho, afirma que a descoberta permite visualizar diretamente o processo de cessação da atividade estelar nas primeiras galáxias. Caso o fluxo de expulsão persista, o sistema poderá esgotar seu combustível gasoso em menos de 100 milhões de anos.
Esse fenômeno ajuda a explicar a presença de galáxias massivas que já se encontravam "apagadas" em períodos extremamente remotos do universo. A hipótese é que colisões frequentes e crescimentos acelerados em galáxias antigas resultem na morte prematura desses sistemas. Um processo análogo deve ocorrer com a Via Láctea durante sua fusão com a galáxia de Andrômeda, prevista para daqui a 4,5 bilhões de anos.