Ciência

JAXA prolonga missão Hayabusa 2 para investigar objeto que pode ser sonda soviética desaparecida

02 de Junho de 2026 às 12:12

A JAXA estendeu a missão Hayabusa 2 por dez anos para se aproximar do corpo 1998 KY26 em julho de 2031. O objeto tem cerca de 11 metros de diâmetro e apresenta rotação e brilho superiores às previsões. Um estudo de Harvard & Smithsonian sugere que o alvo possa ser a sonda soviética Phobos 1

JAXA prolonga missão Hayabusa 2 para investigar objeto que pode ser sonda soviética desaparecida
MASCOT/DLR/JAXA

A agência espacial japonesa JAXA prolongou a operação da missão Hayabusa 2 por mais de dez anos, após a nave ter coletado e entregue amostras do asteroide Ryugu durante um sobrevoo da Terra. O novo objetivo é a aproximação do corpo 1998 KY26, prevista para julho de 2031. A operação poderá envolver a liberação de um marcador de alvo ou a tentativa de contato com a superfície, embora a complexidade técnica da missão tenha aumentado diante de novas observações.

Medições realizadas em 2024 pelo Very Large Telescope, do Observatório Austral, alteraram a compreensão sobre as características do objeto. O cientista Toni Santana-Ros observou que o corpo é três ou quatro vezes menor do que as previsões anteriores, apresentando um diâmetro de aproximadamente 11 metros. Além disso, o objeto possui maior brilho e gira com o dobro da velocidade estimada. Essa escala reduzida torna a visita singular, já que a Hayabusa 2, com 6 metros, possui dimensões que representam mais da metade do tamanho do alvo.

Paralelamente, um estudo preliminar do Centro de Astrofísica de Harvard & Smithsonian levanta a possibilidade de que o 1998 KY26 não seja um asteroide, mas sim um objeto de origem tecnológica. A trajetória do corpo poderia coincidir com a da sonda soviética Phobos 1, lançada em 7 de julho de 1988 para estudar uma das luas de Marte. A missão russa perdeu contato com a Terra em 2 de setembro de 1988, devido a um erro em um script de comando.

O astrônomo Avi Loeb argumenta que dois impulsos de velocidade de 1,9 quilômetros por segundo — um ocorrido após a perda de sinal da sonda e outro em maio de 1996 — seriam suficientes para alinhar as órbitas e as fases de ambos os corpos. A hipótese é sustentada pela alta refletividade, pela forma alongada e pela resistência do objeto, mesmo sob rotação rápida. A observação direta realizada pela Hayabusa 2 em 2031 será o fator determinante para definir se o destino da nave é um asteroide diminuto ou os remanescentes da sonda soviética desaparecida há mais de 40 anos.

Notícias Relacionadas