Ciência

Jovem é a primeira pessoa a receber injeção de mitocôndrias nos olhos em procedimento experimental

07 de Novembro de 2026 às 07:58 3 min de leitura

Uma jovem de 26 anos recebeu a primeira injeção experimental de mitocôndrias próprias nos olhos para tratar danos nos nervos ópticos causados por um AVC. O procedimento, liderado por David Putrino, resultou em respostas pupilares transitórias e atividade no córtex visual, mas não recuperou a visão da paciente. A ausência de efeitos adversos graves fundamenta a criação de um protocolo para aplicações repetidas junto à FDA

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Jovem é a primeira pessoa a receber injeção de mitocôndrias nos olhos em procedimento experimental
Pexels/Mark Arron Smith

Uma jovem de 26 anos tornou-se a primeira pessoa a passar por um procedimento experimental que consiste na injeção de mitocôndrias extraídas de seu próprio corpo diretamente nos olhos. A técnica, liderada pelo neurocientista David Putrino e detalhada em estudo preliminar na Research Square, visa fornecer energia a neurônios danificados que ainda permanecem vivos, expandindo para humanos uma abordagem anteriormente restrita a testes com animais.

A intervenção foi motivada por um quadro de perda quase total da visão decorrente de um acidente vascular cerebral. A paciente levou cerca de 18 horas para receber atendimento hospitalar e, embora tenha sobrevivido após cirurgia de emergência, a privação prolongada de oxigênio e sangue causou danos severos aos nervos ópticos. Três meses após o evento, a paciente apresentava atrofia visível e conseguia apenas perceber a presença de luz.

O procedimento e a base celular

Para viabilizar o tratamento, a equipe médica realizou uma biópsia no músculo da coxa da paciente, estratégia adotada para minimizar riscos de reações imunológicas. A partir desse material, foram isoladas dezenas de milhões de mitocôndrias, que foram injetadas no humor vítreo de ambos os olhos.

Essas estruturas celulares funcionam como centrais de produção de energia, sendo essenciais para as células ganglionares da retina. Esses neurônios possuem alta demanda metabólica e são os responsáveis por transmitir as informações visuais do olho para o cérebro. A decisão de prosseguir com a técnica baseou-se em exames prévios que, apesar de mostrarem a redução das camadas de fibras nervosas e células ganglionares, indicaram que ainda havia sinal residual chegando ao córtex visual.

Resultados e limitações do estudo

A resposta inicial ocorreu poucos dias após a aplicação. Nos 71 dias que antecederam o tratamento, a paciente foi submetida a 45 medições da reação pupilar à luz, todas sem resposta normal. Após a injeção das mitocôndrias, foram registradas respostas normais em ambos os olhos, além de atividade organizada no córtex visual em sessões realizadas nos dias 3, 44 e 45 pós-procedimento.

Apesar desses indícios, a intervenção não recuperou a visão total da paciente, cuja acuidade visual continuou limitada à percepção de luz. As respostas pupilares também foram transitórias: cessaram no olho esquerdo após o 11º dia e ocorreram de forma esporádica no olho direito até o 39º dia.

O estudo apresenta limitações metodológicas, como a análise de apenas uma paciente, a ausência de um grupo de controle e a falta de comprovação direta de que as mitocôndrias foram efetivamente incorporadas às células ganglionares. Contudo, a ausência de efeitos adversos graves ou reações imunológicas perigosas validou a segurança do processo. Com base nesses resultados, a equipe de David Putrino trabalha agora junto à FDA para estabelecer um protocolo que permita a realização de injeções repetidas de mitocôndrias.

Com informações de El Confidencial

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