Lago Mai Ndombe liberta dióxido de carbono milenar para a atmosfera
Um estudo publicado na revista Nature Geoscience indica que lagos e rios da bacia do Congo liberam grandes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera. A pesquisa sugere que microrganismos podem estar decompondo o carbono antigo das turfeiras, gerando gases que se infiltram nos corpos d'água e são liberados na atmosfera. Estima-se que a Cuvette Centrale armazene cerca de um terço do carbono em turfeiras tropicais no planeta
Lagos e rios da bacia do Congo liberam grandes quantidades de dióxido de carbono para a atmosfera, segundo estudo publicado na revista Nature Geoscience. A pesquisa indica que parte desse CO2 provém de turfa antiga armazenada há milhares de anos nos solos alagados da região.
Os cientistas realizaram três expedições à bacia do Congo nos últimos quatro anos e coletaram amostras em diversos locais, incluindo o Lago Mai Ndombe, o Lago Tumba e o Rio Ruki. As análises foram feitas em laboratório com técnicas de espectrometria de alta precisão.
Os resultados mostram que cerca de 40% do carbono inorgânico presente nas amostras coletadas no Lago Mai Ndombe tem origem milenar, o que contraria a suposição científica de que o carbono acumulado nas turfeiras da região permaneceria preso no subsolo.
A equipe sugere que microrganismos presentes na região podem estar decompondo o carbono antigo das turfeiras, gerando dióxido de carbono e metano que se infiltram nos lagos e rios antes de serem liberados na atmosfera. Essas descobertas têm implicações importantes para o equilíbrio climático global.
A Cuvette Centrale é uma área de enorme relevância global para o armazenamento de carbono, com estima-se que ela concentre cerca de um terço do carbono armazenado em turfeiras tropicais no planeta. Qualquer alteração nesse sistema pode ter consequências significativas para o clima.
Os cientistas alertam ainda que períodos futuros de seca podem acelerar esse mecanismo de liberação de carbono, levando os reservatórios de turfa a deixarem de atuar como sumidouros e passarem a funcionar como fontes importantes de carbono atmosférico.