Ciência

Larva de mosca do Lago Malawi resiste a pressões de profundidades superiores a 400 metros

10 de Outubro de 2026 às 18:13 2 min de leitura

A larva de mosca Chaoborus edulis, do Lago Malawi, resiste a pressões hidrostáticas superiores a 400 metros. O animal utiliza sacos de ar com a proteína resilina para realizar migrações verticais diárias. O estudo, publicado na revista Science, indica que a pressão da água não é o principal impedimento para insetos em oceanos

-0:00
Larva de mosca do Lago Malawi resiste a pressões de profundidades superiores a 400 metros
Philip Matthews

Uma larva de mosca do Lago Malawi, a Chaoborus edulis, revelou a capacidade de suportar pressões hidrostáticas equivalentes a profundidades superiores a 370 metros. A descoberta, detalhada em estudo publicado na revista Science, coloca em xeque a teoria de que a pressão da água seria o principal impedimento para a presença de insetos em oceanos abertos.

Mecanismo de flutuabilidade e migração

O animal realiza diariamente uma migração vertical no Lago Malawi, localizado na África Oriental. Durante o dia, milhões de larvas mergulham até zonas de aproximadamente 200 metros de profundidade, retornando à superfície à noite para se alimentar. Para realizar esse deslocamento sem gasto excessivo de energia, a espécie utiliza um controle rigoroso de flutuabilidade baseado em dois pares de sacos de ar derivados do sistema respiratório.

A regulação desses sacos ocorre por meio de um processo quimio-mecânico, no qual a larva altera o pH das paredes das estruturas para expandi-las ou contraí-las.

Resistência à pressão

A existência de gás no interior desses sacos, mantido em pressão similar à da atmosfera superficial, sugeria que as estruturas colapsariam sob a pressão de grandes profundidades. Para testar essa hipótese, pesquisadores da Universidade do Colúmbia Britânica utilizaram câmaras de pressão simulando colunas de água.

Os experimentos demonstraram que as estruturas da Chaoborus edulis resistem a pressões equivalentes a mais de 400 metros de profundidade, superando a marca do habitat natural da espécie. O achado indica que a pressão submarina, isoladamente, não é o fator determinante para a ausência de insetos em ambientes oceânicos, desafiando suposições anteriores sobre os limites biológicos de seus sistemas respiratórios.

Aplicações na ciência dos materiais

A resistência observada está ligada à presença de resilina nas paredes dos sacos de ar, substância que permite a variação de volume conforme a alteração do pH. Devido a essa característica, a proteína da mosca africana desperta interesse para a ciência dos materiais, com potencial para a criação de materiais adaptativos e dinâmicos que alterem sua forma em resposta a estímulos do ambiente químico.

Notícias Relacionadas