Ciência

Líbia descobre água fóssil em vastas bacias no deserto do Saara

03 de Março de 2026 às 15:15

Em 1953, uma equipe de perfuração petrolífera na Líbia descobriu água limpa e potável no deserto do Saara. A análise posterior indicou que a água fazia parte do Sistema Aquífero Nubian Sandstone (NSAS), o maior reservatório conhecido de água fóssil do mundo, com cerca de 150.000 km³ de volume estimado.

O aquífero se estende por mais de 2 milhões de quilômetros quadrados sob o deserto do Saara, abrangendo Líbia, Egito, Chade e Sudão. Atualmente, o Sistema Aquífero Nubian é utilizado para fornecer água a cerca de 70% da população líbia.

O projeto Great Man-Made River (GMMR) foi iniciado em 1984 para explorar essa fonte hídrica e transportar água doce às cidades costeiras

Líbia: Descoberta Acidental de Água Fóssil no Deserto do Saara Revoluciona Abastecimento Hídrico Regional

Em 1953, uma equipe de perfuração petrolífera na Líbia descobriu algo inesperado. Em vez de óleo, encontraram vastas bacias contendo água limpa e potável no deserto do Saara. A primeira grande ocorrência foi registrada na região de Al-Kufrah, no sudeste da Líbia.

A análise posterior indicou que a água fazia parte de um sistema muito maior: o Sistema Aquífero Nubian Sandstone (NSAS). Este é considerado o maior reservatório conhecido de água fóssil do mundo. Ele se estende por mais de 2 milhões de quilômetros quadrados sob o deserto do Saara, abrangendo Líbia, Egito, Chade e Sudão.

O volume estimado da água subterrânea no NSAS é aproximadamente 150.000 km³ - equivalente a cerca de 500 anos da descarga anual do rio Nilo ou cerca de vinte vezes o volume dos Grandes Lagos da América do Norte.

A água armazenada no sistema foi acumulada durante o Pleistoceno, período da Era do Gelo, quando o Saara era significativamente mais verde e úmido. A hidrogeólogo Cliff Voss destaca que a água se infiltrou em arenitos Nubian há dezenas de milhares até mais de um milhão de anos.

A descoberta do aquífero abriu uma terceira possibilidade para o abastecimento hídrico da Líbia, além da dessalinização e importação. Em 1984, a Líbia iniciou o projeto Great Man-Made River (GMMR) sob liderança de Muammar Gaddafi.

O plano consistiu em perfurar aproximadamente 1.300 poços conectados por uma rede de tubulações subterrâneas com cerca de 2.820 km e capacidade para transportar água doce a cidades costeiras como Trípoli, Benghazi e Sirte.

Atualmente, o GMMR fornece aproximadamente 6,5 milhões de metros cúbicos por dia atendendo cerca de 70% do consumo hídrico da Líbia. A obra foi financiada majoritariamente com receitas do petróleo líbio sem empréstimos internacionais.

O Sistema Aquífero Nubian é composto principalmente por arenito ferruginoso duro depositado entre o Pré-Cambriano e o Quaternário, podendo chegar a profundidades de 4.000 metros com poços perfurados atingindo até 1.500 metros.

A água armazenada no aquífero é considerada fóssil e não renovável em escala humana. A taxa de recarga é efetivamente zero, embora enchentes ocasionais possam contribuir marginalmente para o ciclo hidrológico moderno.

O uso estratégico do Sistema Aquífero Nubian exige gestão a longo prazo por conta da sua não renovabilidade. Especialistas defendem diversificação de fontes, incluindo dessalinização e reuso de água, diante da pressão sobre recursos hídricos transfronteiriços.

Com a população dos países da bacia aumentando drasticamente, o consumo do aquífero representa redução permanente do estoque. Relatos indicam que alguns poços no lado egípcio já apresentaram declínio.

A descoberta acidental de água fóssil em 1953 pode ter sido mais valiosa que a própria exploração petrolífera, mas sua insubstituibilidade reforça a necessidade da gestão estratégica dos recursos hídricos regionais.

Com informações de Click Petróleo e Gás

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