Ciência

Mandíbulas potentes podem ter motivado a redução dos braços em dinossauros bípedes, indica estudo

30 de Maio de 2026 às 12:12

Pesquisadores da Universidade de Cambridge e do University College London analisaram 82 espécies de terópodes e associaram a redução dos braços ao fortalecimento de crânios e mandíbulas. O estudo indica que essa adaptação ocorreu em cinco grupos distintos para aumentar a eficácia na captura de presas

Mandíbulas potentes podem ter motivado a redução dos braços em dinossauros bípedes, indica estudo
FOTOKITA/Getty Images

A redução dos membros anteriores em dinossauros bípedes, como o Tyrannosaurus rex, pode ter sido motivada pela evolução de crânios e mandíbulas mais potentes, tornando as garras menos essenciais para a captura de presas. A conclusão é fruto de um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Cambridge e do University College London (UCL), que analisaram 82 espécies de terópodes.

A investigação identificou que o encurtamento dos braços ocorreu em cinco grupos distintos, incluindo os tiranossaurídeos. Para chegar a esse resultado, a equipe desenvolveu um método de medição da potência craniana, baseando-se nas dimensões dos ossos e na forma como eles estavam fundidos. Os dados revelam que a diminuição dos membros superiores não foi um subproduto do crescimento do corpo, mas sim uma adaptação ligada ao fortalecimento da cabeça.

Um exemplo dessa correlação é o Majungasaurus, predador que habitou a região onde hoje fica Madagascar. Apesar de não possuir um corpo tão grande quanto o do T. rex, esse dinossauro apresentava braços curtos e uma cabeça poderosa. O T. rex, por sua vez, chegava a medir entre 12 e 13 metros de comprimento, enquanto seus braços mediam apenas 1 metro, dimensão que ainda permitia ao animal se levantar do chão ou auxiliar no acasalamento.

A hipótese central é que essas mudanças anatômicas ocorreram em regiões onde as presas eram gigantescas, como os saurópodes, herbívoros de pescoço e cauda longos que podiam atingir 30 metros. Diante de tais dimensões, o uso de mandíbulas para atacar e segurar a presa teria sido mais eficaz do que a tentativa de agarrá-las com garras, impulsionando uma corrida evolutiva em direção a crânios mais robustos.

Embora a pesquisa estabeleça uma correlação e não uma prova definitiva de causalidade, a análise indica que o fortalecimento do crânio provavelmente precedeu a redução dos braços. A lógica evolutiva sugere que predadores não abandonariam seu mecanismo de ataque primário sem possuir uma alternativa eficiente.

O estudo também observou que a redução dos membros ocorreu de formas distintas entre os grupos: enquanto alguns apresentavam encurtamento uniforme, outros tinham mãos e antebraços proporcionalmente menores. Esse padrão indica que diferentes linhagens podem ter alcançado o mesmo resultado por meio de caminhos evolutivos paralelos. Por fim, a metodologia de medição da robustez craniana utilizada no trabalho pode ser aplicada a outros animais, como as aves, que são descendentes dos dinossauros terópodes.

Notícias Relacionadas