Mapa da Via Láctea revela detalhes inéditos do centro galático com nuvens gigantes de gás molecular
Um novo mapa da Via Láctea foi criado por uma equipe liderada por Steven Longmore utilizando o radiotelescópio ALMA. O levantamento detalhado mostra a distribuição de gás frio e poeira cósmica no centro galático, incluindo nuvens enormes compostas principalmente por hidrogênio e monóxido de carbono. A região central da galáxia é considerada dinâmica com força gravitacional intensa exercida pelo buraco negro supermassivo Sagitário A
Um novo mapa da Via Láctea revela detalhes inéditos do centro galático. A equipe de cientistas liderada por Steven Longmore utilizou o radiotelescópio ALMA, instalado no deserto do Atacama, para criar um levantamento extremamente detalhado da região central da galáxia.
O mapa tridimensional mostra a distribuição dos gás frio e poeira cósmica que dão origem às estrelas. Os cientistas identificaram enormes nuvens de gás molecular, compostas principalmente por hidrogênio e monóxido de carbono. Esses materiais são conhecidos por dar origem a novas estrelas quando entram em colapso gravitacional.
A região central da galáxia é extremamente dinâmica, com o buraco negro supermassivo Sagitário A* exercendo uma força gravitacional intensa sobre as nuvens de gás. Longmore comparou esse fenômeno a um ralo de banheira, onde a água é puxada para o centro.
O estudo utilizou espectroscopia para analisar as frequências da luz emitida por moléculas presentes no gás e detectar o efeito Doppler. Isso permitiu aos cientistas construir um mapa detalhado da região central, que inclui mais de 70 linhas espectrais moleculares.
A pesquisa também revelou a presença de substâncias orgânicas complexas como metanol e etanol, consideradas precursoras de aminoácidos. Esses blocos fundamentais das proteínas são essenciais para a vida.
Além disso, estudos recentes sugerem que o Sol pode não ter nascido onde está atualmente. Dados do satélite Gaia indicam que nossa estrela pode ter surgido muito mais perto do centro da galáxia e se deslocado até sua posição atual.
Essa hipótese sugere que a mudança de posição do Sol dentro da galáxia pode ter tido consequências importantes para a história da vida na Terra. Regiões centrais são extremamente intensas e perigosas, enquanto áreas mais externas tendem a ser mais estáveis.
O projeto envolveu cerca de 160 cientistas de diferentes países e demonstrou como projetos científicos modernos dependem cada vez mais de cooperação internacional, tecnologia avançada e observatórios espaciais ou terrestres.