Massa radioativa do acidente de Chernobyl é estudada para a elaboração de planos de contingência
Uma massa radioativa de corium, chamada "pé de elefante", permanece sob o reator quatro de Chernobyl desde o acidente de 1986. O material, composto por resíduos fundidos, emitia 10.000 roentgens por hora na descoberta e originou a chernobilita. Pesquisadores estudam a corrosão desses compostos para planejar a gestão de áreas de desastres nucleares
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Sob o reator número quatro da usina de Chernobyl, permanece depositada uma massa radioativa conhecida como "pé de elefante", considerada um dos materiais mais tóxicos da Terra. A formação surgiu durante o acidente nuclear de 1986, quando o colapso do núcleo gerou um fluxo incandescente composto por aço, concreto, grafite, barras de controle e combustível. Essa lama, tecnicamente denominada corium, deslizou pelas estruturas do edifício e se solidificou em um corredor de manutenção.
Identificada por técnicos em dosimetria em dezembro de 1986, a escória de aparência cerâmica escura recebeu seu nome devido à semelhança física com a extremidade de um mamífero. No momento da descoberta, a pilha de resíduos fundidos emitia cerca de 10.000 roentgens por hora, dose que tornaria fatal a exposição de qualquer pessoa por apenas cinco minutos sem a proteção adequada.
Esse tipo de material é extremamente raro, tendo se formado apenas cinco vezes no mundo: uma em Three Mile Island, três em Fukushima Daiichi e em Chernobyl, onde a massa representa uma fração das 100 toneladas de resíduos espalhadas pelo subsolo.
A interação dos fluxos de massa com o oxigênio e o vapor de água durante o resfriamento resultou na criação da chernobilita. Trata-se de um cristal tecnogênico com altas concentrações de zircônio e urânio, sem réplicas naturais no planeta. Essa estrutura apresenta relação com a trinitita, material vítreo gerado na areia após a detonação da bomba atômica Trinity em 1945.
Para compreender a evolução desses compostos, pesquisadores publicaram um estudo na revista Nature detalhando a simulação desses materiais vulcânicos em laboratórios controlados. O objetivo é analisar a dinâmica de corrosão a longo prazo para a elaboração de planos de contingência na gestão de áreas atingidas por desastres nucleares. Embora a atividade térmica diminua com a degradação natural dos isótopos, a região exigirá supervisão técnica rigorosa por vários séculos.