Ciência

Meteorito encontrado na Alemanha revela material com propriedades térmicas que desafiam a física dos materiais

07 de Novembro de 2026 às 06:04 2 min de leitura

Um meteorito encontrado em Steinbach, na Alemanha, contém tridimita meteórica, material com condutividade térmica estável entre 80 e 380 graus Kelvin. Pesquisadores da Universidade de Sorbonne atribuem o fenômeno a uma estrutura atômica intermediária entre cristais e vidros

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Meteorito encontrado na Alemanha revela material com propriedades térmicas que desafiam a física dos materiais
Wikimedia Commons/Fred Kruijen

Um fragmento espacial caído na Alemanha há mais de trezentos anos revelou propriedades térmicas que desafiam as leis universais da física dos materiais. O meteorito, encontrado em Steinbach, contém tridimita meteórica, uma variante de dióxido de silício que não se comporta como um cristal clássico nem como um vidro convencional.

Comportamento térmico atípico

A descoberta, detalhada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, foca na condutividade térmica do material. Enquanto cristais costumam perder eficiência ao serem aquecidos e os vidros apresentam aumento nessa capacidade, a tridimita do meteorito mantém uma resposta estável mesmo sob variações bruscas de temperatura.

Pesquisadores da Universidade de Sorbonne comprovaram que essa estabilidade ocorre entre 80 e 380 graus Kelvin. O fenômeno é resultado de uma estrutura atômica intermediária, posicionada entre a organização dos cristais e a desordem dos vidros.

Validação teórica e aplicações

Esse estado da matéria havia sido previsto em 2019 por Michele Simoncelli e sua equipe na Universidade de Columbia. Na ocasião, foi desenvolvida uma equação capaz de unificar a descrição de cristais e vidros em um único modelo teórico, prevendo a existência de materiais intermediários como o dióxido de silício encontrado no fragmento.

A confirmação experimental via meteorito indica que tais compostos podem surgir em condições extremas. Além da Terra, a tridimita também foi identificada em Marte.

A possibilidade de reproduzir esse material em escala industrial, especialmente em fornos siderúrgicos, pode viabilizar novas formas de controle de calor. Essa aplicação teria como objetivo a redução do impacto ambiental em indústrias que demandam alto consumo de energia.

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