Microplásticos na atmosfera contribuem para o aquecimento da Terra, aponta estudo da Universidade Fudan
Estudo da Universidade Fudan, publicado na Nature Climate Change, indica que microplásticos atmosféricos elevam o aquecimento da Terra ao absorverem calor. O impacto térmico equivale ao de 200 usinas de carvão anuais, sendo mais intenso em partículas coloridas

Partículas de microplásticos suspensas na atmosfera contribuem para o aquecimento da Terra, conforme aponta um estudo publicado na revista Nature Climate Change em 4 de maio. A pesquisa, liderada por cientistas da Universidade Fudan, na China, com colaboração internacional, revela que esses fragmentos absorvem mais calor do que refletem, interferindo no equilíbrio térmico do planeta.
O impacto climático gerado por esse fenômeno é comparável ao funcionamento de aproximadamente 200 usinas movidas a carvão durante um ano. Esse volume representa cerca de um sexto do efeito provocado pelo carbono negro, substância derivada da queima de combustíveis fósseis. Embora o índice seja inferior ao de indústrias e veículos, a persistência dessas partículas no ambiente por décadas torna o problema cumulativo, elevando os riscos ao longo do tempo.
A análise detalhou a interação de diferentes tipos de plásticos com a luz solar. Simulações indicaram que materiais pigmentados em cores como preto, vermelho, amarelo e azul absorvem significativamente mais calor do que plásticos brancos ou transparentes, chegando a apresentar uma absorção térmica quase 75 vezes superior.
Os microplásticos, definidos como fragmentos com menos de cinco milímetros resultantes da decomposição de resíduos maiores, podem viajar longas distâncias após serem liberados no ar. Esse comportamento explica a presença de resíduos plásticos em montanhas, regiões polares e áreas remotas. O controle dessa dispersão é complexo, pois as partículas permanecem suspensas na atmosfera por longos períodos. O estudo também menciona os nanoplásticos, que possuem dimensões ainda menores, muitas vezes inferiores à espessura de um fio de cabelo humano.
A descoberta amplia a compreensão sobre a poluição plástica, que já é monitorada por danos ambientais e riscos à saúde. Anteriormente, a detecção dessas partículas foi confirmada em alimentos industrializados, frutas, água potável e peixes, além de tecidos humanos como sangue, pulmões, placenta e leite materno.
O cenário é agravado pelo volume de produção global de plástico, que supera 430 milhões de toneladas anuais, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. O descarte inadequado desse material alimenta a concentração de resíduos no solo, rios, oceanos e no ar.
Para os pesquisadores, a evidência de que tais partículas contribuem para o aquecimento global torna a redução da poluição plástica parte essencial das estratégias de combate às mudanças climáticas. O trabalho da Universidade Fudan é considerado um passo inicial para compreender a totalidade dos efeitos térmicos causados por esses resíduos, alertando que as restrições atuais em diversos países são insuficientes diante da velocidade de crescimento da produção mundial.