Mirmecóbio deixa de ser classificado como espécie ameaçada na Lista Vermelha Internacional
O mirmecóbio deixou a Lista Vermelha Internacional de Espécies Ameaçadas, sendo agora classificado como quase ameaçado. A população australiana do marsupial é estimada em 3 mil indivíduos, com destaque para o crescimento na floresta de Dryandra. A preservação da espécie envolve reprodução em cativeiro e controle de predadores
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A recuperação do mirmecóbio (numbat), um marsupial australiano com características que lembram esquilos e tamanduás, tornou-se um símbolo de esperança em meio a uma severa crise de biodiversidade na Austrália. Recentemente, a espécie foi retirada da Lista Vermelha Internacional de Espécies Ameaçadas, passando a ser classificada como quase ameaçada. Atualmente, estima-se que existam cerca de 3 mil indivíduos no país, com um crescimento populacional dez vezes maior na floresta de Dryandra, no sudoeste do continente.
Monitoramento e conservação do mirmecóbio
A sobrevivência da espécie é acompanhada por expedições anuais realizadas durante a primavera, período em que os filhotes deixam as tocas. Equipes compostas por biólogos e voluntários da Numbat Taskforce percorrem trajetos fixos para registrar avistamentos, utilizando coordenadas de GPS e equações de densidade populacional para avaliar a saúde do grupo.
O trabalho de preservação inclui a reprodução em cativeiro, como ocorre no zoológico de Perth, onde novos machos são criados para posterior soltura em Dryandra, visando ampliar a diversidade genética. No entanto, a manutenção dessas populações exige controle rigoroso de predadores, como gatos ferais e raposas, que são combatidos em áreas protegidas por meio de armadilhas com veneno.
A crise de extinção na Austrália
Apesar do sucesso com o mirmecóbio, a Austrália lidera globalmente a extinção de mamíferos. O país enfrenta a chamada sexta extinção em massa, impulsionada por fatores como:
- Espécies invasoras: A introdução de sapos-cururu, coelhos, formigas-de-fogo e gatos ferais.
- Doenças: O fungo quitrídio, que extinguiu sete espécies de sapos, e a clamídia, que afeta a população de coalas.
- Mudanças climáticas: Temperaturas extremas que causam a morte em massa de raposas-voadoras e desastres naturais, como o "Verão Negro" (2019-2020), que vitimou três bilhões de animais.
- Degradação ambiental: Expansão urbana, destruição de habitats e a proliferação de plantas invasoras, como a lantana.
O governo australiano registra oficialmente 67 espécies extintas, mas pesquisadores estimam que o número real ultrapasse cem, incluindo animais e plantas que foram descobertos já extintos.
Desafios políticos e econômicos
Embora o governo federal tenha estabelecido a meta de reverter a perda de biodiversidade até 2030 e implementado reformas nas leis ambientais, há ceticismo quanto à execução prática. A economia australiana, fortemente baseada em recursos naturais, frequentemente prioriza interesses financeiros em detrimento da ecologia. Um exemplo recente foi a aprovação de leis para proteger a indústria de salmão na Tasmânia, avaliada em A$ 1,4 bilhão, ignorando riscos à sobrevivência da raia-de-maugean.
Há também um desequilíbrio financeiro significativo nos investimentos. Enquanto o governo federal destina cerca de A$ 700 milhões anuais para a proteção da natureza, conservacionistas apontam que seriam necessários A$ 33 bilhões (1% do PIB) para conter a devastação. Paralelamente, estima-se que A$ 26 bilhões sejam gastos em subsídios para atividades prejudiciais ao meio ambiente, como mineração e agricultura intensiva.
Riscos da recuperação parcial
A melhora na situação do mirmecóbio gera um alerta entre biólogos: a saída de uma espécie da lista de ameaçadas pode dificultar a obtenção de verbas e apoio técnico. O caso do woylie (bettong-de-cauda-de-escova) serve como exemplo, pois a espécie apresentou uma recuperação inicial, saiu da lista de ameaçadas, mas retornou a ela dez anos depois em estado ainda mais crítico.