Missão Artemis II registra novo recorde de distância de seres humanos em relação à Terra
A NASA finalizou a missão Artemis II em 11 de abril de 2026, após a recuperação da cápsula Orion no Oceano Pacífico. A tripulação de quatro astronautas testou sistemas de navegação e suporte, alcançando 7.500 km além da face oculta lunar. A operação iniciou em 1º de abril, na Flórida, com o foguete SLS Block 1
A humanidade retornou à vizinhança da Lua pela primeira vez desde dezembro de 1972. A missão Artemis II da NASA foi concluída em 11 de abril de 2026, quando a cápsula Orion amerissou no Oceano Pacífico, próximo a San Diego, e foi recuperada pela Marinha dos Estados Unidos, após dez dias de operação no espaço profundo.
A jornada começou em 1º de abril de 2026, com a decolagem ocorrendo às 18h35 da Plataforma 39B no Centro Espacial Kennedy, na Flórida — o mesmo local de partida das missões Apollo. O impulso foi fornecido pelo SLS (Space Launch System) Block 1, o foguete mais potente já construído pela agência americana, que superou o empuxo do antigo Saturn V para colocar a Orion em uma trajetória de injeção translunar por meio de queimas múltiplas.
Após um dia de verificações em órbita terrestre, a cápsula seguiu para o sobrevoo lunar, ocorrido em 6 de abril de 2026. Durante a missão, a tripulação atingiu a marca de 7.500 km além do lado oculto da Lua, estabelecendo o novo ponto mais distante da Terra já alcançado por seres humanos e superando o recorde anterior da Apollo 13, de 1970.
A equipe foi composta pelo comandante Reid Wiseman, o piloto Victor Glover e os especialistas de missão Christina Koch e Jeremy Hansen. Com esta operação, Hansen tornou-se o primeiro canadense a viajar ao espaço profundo. Já Koch, que detém o recorde feminino de permanência contínua no espaço, poderá se tornar a primeira mulher a pisar na superfície lunar. Durante a missão, os quatro astronautas testaram sistemas críticos de navegação, comunicações, controle manual e suporte de vida em ambiente de espaço profundo.
A Orion apresentou avanços tecnológicos significativos em relação ao programa Apollo, incluindo sistemas de navegação e suporte de vida inexistentes na década de 60. Um dos diferenciais foi a adoção de uma trajetória de retorno livre, que utiliza a gravidade da Terra e da Lua para reduzir o consumo de combustível e aumentar a segurança, contrastando com a dependência de grandes queimas de motor das missões anteriores.
O retorno à Terra envolveu uma reentrada atmosférica de 13 minutos, com velocidades próximas a 30 mil km/h. O processo incluiu um período de seis minutos de silêncio total nas comunicações, enquanto o escudo térmico enfrentava temperaturas extremas. O perfil de reentrada foi ajustado para ser mais íngreme do que o planejado inicialmente, uma decisão de engenharia baseada em dados da missão não tripulada Artemis I, de 2022, que havia detectado erosão no escudo térmico durante uma reentrada do tipo "saltitante".
O programa Artemis, que já soma um custo de US$ 93 bilhões, enfrentou atrasos devido a problemas técnicos no SLS e no Starship da SpaceX, que servirá como módulo de pouso. A próxima etapa é a missão Artemis III, prevista para o período entre 2027 e 2028. O objetivo será realizar o primeiro pouso tripulado na Lua em mais de 55 anos, focando no polo sul lunar, onde a existência de gelo de água em crateras permanentemente sombreadas é monitorada por cientistas.