Ciência

Missão da NASA revela que Marte possuiu sistema magmático mais profundo e complexo que o previsto

01 de Julho de 2026 às 15:08

Dados da missão InSight da NASA revelam que Marte teve um sistema magmático interno mais profundo e complexo do que o previsto. A análise de sinais sísmicos indica a formação de uma crosta evoluída sem a necessidade de tectônica de placas. O estudo, publicado na Nature Astronomy, identificou camadas de rochas máficas e ultramáficas na base da crosta planetária

Missão da NASA revela que Marte possuiu sistema magmático mais profundo e complexo que o previsto
NASA/JPL-Caltech

Dados sísmicos coletados pela missão InSight, da NASA, indicam que Marte possuiu um sistema magmático interno significativamente mais profundo e complexo do que as teorias geológicas previam. A análise de 1.319 sinais registrados ao longo de quatro anos permitiu mapear a estrutura do planeta, revelando que a aparente inatividade da superfície esconde um histórico de magma armazenado e transformado em diversas camadas da crosta.

A descoberta altera a compreensão sobre a formação de crostas planetárias. Até então, acreditava-se que a existência de uma crosta rica em sílica dependia obrigatoriamente de tectônica de placas e de processos de subducção, como ocorre na Terra. No entanto, as evidências sugerem que Marte desenvolveu uma crosta evoluída sem a necessidade de reciclagem de placas tectônicas.

O módulo InSight, que operou em Elysium Planitia até 2022, capturou ondas sísmicas que se comportam de maneira distinta conforme o material atravessado. Ao processar esses dados, a equipe de pesquisa identificou velocidades anômalas na crosta inferior. Para solucionar essa discrepância, foram utilizados modelos termodinâmicos e ferramentas estatísticas, que apontaram a existência de uma camada de rocha ultramáfica — rica em magnésio e ferro, porém pobre em sílica — com aproximadamente 14 quilômetros de espessura na base da crosta, situada abaixo de uma camada máfica com maior teor de sílica.

Essa configuração indica a existência de um antigo sistema de reservatórios e canais de magma. Nesse processo, minerais mais pesados submergiam enquanto materiais leves se concentravam nas zonas superiores. Embora a coleta direta tenha ocorrido no ponto de pouso da sonda, a hipótese de que esse fenômeno seja global é reforçada por fronteiras sísmicas semelhantes detectadas a milhares de quilômetros de distância e por evidências minerais distribuídas por todo o planeta.

O estudo, publicado na Nature Astronomy, amplia a perspectiva sobre a evolução de planetas rochosos. Tobermory Mackay-Champion, sismólogo da Universidade de Bristol e vinculado à Universidade de Oxford, destaca que a diferenciação da crosta, o ciclo de voláteis, a transferência de calor e a criação de ambientes quimicamente diversos podem ocorrer mesmo em mundos sem tectônica de placas ativa. Isso sugere que planetas anteriormente descartados por serem considerados geologicamente inertes podem ter abrigado interiores dinâmicos.

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