Modelo matemático indica possibilidade de colapso da civilização humana no ano de 2064
Um modelo matemático publicado na revista Chaos, Solitons & Fractals projeta um possível colapso da civilização humana em 2064. A estimativa baseia-se na equação de Trachenko-Zaccone e considera a redução da capacidade de sustentação da Terra para 2 bilhões de pessoas
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Um modelo matemático publicado na revista *Chaos, Solitons & Fractals* indica que a civilização humana poderá enfrentar um colapso no ano de 2064, caso a trajetória demográfica e ambiental atual se mantenha. O estudo, desenvolvido por Alessio Zaccone e Kostya Trachenko, utiliza a chamada equação de Trachenko-Zaccone para analisar a dinâmica populacional global ao longo de 12 mil anos.
A pesquisa se diferencia dos modelos demográficos tradicionais, que costumam se basear em crescimentos logarítmicos ou exponenciais. Em vez disso, os autores aplicaram um modelo de feedback de taxa — ferramenta anteriormente utilizada na física de materiais desordenados, como sólidos amorfos e vidros — para descrever o comportamento das sociedades. Essa abordagem permite que um único parâmetro transite por diferentes regimes históricos, reproduzindo desde fases de expansão lenta e acelerações intensas até o crescimento mais moderado registrado a partir de 1970.
Ao confrontar a fórmula com dados empíricos, os pesquisadores observaram que o modelo se ajusta tanto à desaceleração populacional recente quanto ao crescimento comprimido ocorrido durante a era industrial. O trabalho também revisita a tese de Heinz von Foerster, que em 1960 previu que a população mundial atingiria o infinito em 2026. Embora a queda na fertilidade global tenha impedido a concretização daquela projeção, o estudo atual alerta que dinâmicas de crescimento descontrolado podem ressurgir em condições extremas.
A data de 2064 surge a partir de uma hipótese de estresse máximo: a redução drástica da capacidade de sustentação da Terra para 2 bilhões de pessoas, impulsionada por escassez de recursos, conflitos, pandemias ou colapso climático. Sob essas premissas, o modelo projeta uma queda abrupta da população.
No entanto, os autores ressaltam que o resultado não é uma previsão definitiva de extinção, mas sim uma demonstração matemática da sensibilidade demográfica diante de crises repentinas. A análise conclui que a trajetória global contemporânea ainda se mantém em um regime de relativa estabilidade, sem indicar, isoladamente, a proximidade de uma catástrofe.