Ciência

Mortes por câncer do colo do útero podem crescer 39,3% no mundo até 2050

02 de Novembro de 2026 às 15:01 4 min de leitura

Projeções da revista Nature Medicine indicam que mortes por câncer do colo do útero podem subir 39,3% e novos diagnósticos 20,2% globalmente até 2050. O estudo aponta que nenhuma das sete regiões analisadas deve atingir a meta de eliminação da OMS no período. No Brasil, a pesquisa estimou 26,5 mil novos casos e 10,9 mil óbitos em 2023

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Mortes por câncer do colo do útero podem crescer 39,3% no mundo até 2050
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Projeções publicadas na revista Nature Medicine indicam que o número de mortes por câncer do colo do útero pode crescer 39,3% em escala global até 2050, atingindo aproximadamente 522 mil óbitos anuais. No mesmo período, a estimativa é que os novos diagnósticos aumentem 20,2%, superando a marca de 1 milhão de casos por ano.

O estudo, liderado por Lisa Force e Natalie Pritchett, da Universidade de Washington, analisou dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2023, utilizando a base do estudo Carga Global de Doenças (GBD). Os pesquisadores observaram que, embora a doença possua alto potencial de prevenção, o crescimento e o envelhecimento populacional podem elevar o volume total de casos e mortes, mesmo que as taxas de incidência e mortalidade ajustadas pela idade apresentem redução.

Desigualdades globais e metas da OMS

A análise revela um abismo assistencial entre nações. Em 2023, a taxa de incidência em países de baixa renda foi mais de quatro vezes superior à de países ricos, enquanto a mortalidade foi sete vezes maior. A situação mais crítica ocorre na África Subsaariana, onde se projeta um salto de 88,7% nos novos casos e 95,4% nas mortes até 2050, podendo chegar a 468 mil diagnósticos e 206 mil óbitos anuais.

Essa disparidade é atribuída a dificuldades no acesso a vacinas contra o HPV, exames de rastreamento e tratamentos, além do impacto da infecção por HIV, que potencializa a progressão de lesões causadas pelo vírus.

Diante desse cenário, o estudo aponta que nenhuma das sete grandes regiões do mundo analisadas deve atingir, até 2050, a meta de eliminação da doença estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Para a organização, a eliminação como problema de saúde pública exige a redução da incidência para menos de quatro casos por 100 mil mulheres anualmente.

Panorama no Brasil

Para o ano de 2023, a pesquisa estimou que o Brasil registrou cerca de 26,5 mil novos casos e 10,9 mil mortes. Ao comparar esses dados com o cenário de 1990, os cientistas identificaram:

  • Aumento de 94,9% no número absoluto de novos casos;
  • Crescimento de 64,6% no total de mortes;
  • Queda de 39,9% na taxa de mortalidade ajustada pela idade.

As taxas brasileiras estimadas para 2023, após ajuste etário, foram de 19,8 novos casos e 7,8 mortes por 100 mil mulheres. É importante notar que esses números divergem das estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca) e do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) devido a diferenças em metodologias, fontes e períodos de análise. No Brasil, a incidência é mais expressiva nas regiões Norte e Nordeste, onde o acesso ao diagnóstico precoce é mais limitado.

Prevenção e estratégias de controle

O câncer do colo do útero é causado principalmente pela infecção persistente por tipos de alto risco do papilomavírus humano (HPV). A prevenção baseia-se em dois pilares: a vacinação, idealmente realizada antes do contato com o vírus, e os exames de rastreamento para identificar alterações celulares precoces.

No Brasil, o SUS oferece a vacina gratuitamente para meninos e meninas de 9 a 14 anos em dose única, com coberturas de 87% para meninas e 74% para meninos em 2025. Além disso, o Ministério da Saúde implementa a detecção do DNA do HPV via testes moleculares, tecnologia já disponível em 26 unidades da Federação desde outubro de 2026, complementando o exame de Papanicolau.

Limitações do estudo

Os autores ressaltam que os dados são projeções estatísticas baseadas em tendências atuais e não previsões definitivas. O modelo não considerou a ampliação futura da cobertura vacinal, fator que pode alterar significativamente os resultados, dado que os efeitos da imunização podem levar décadas para se manifestar na redução da incidência de tumores.

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