Ciência

Mudanças climáticas atrasam o ciclo reprodutivo do veado ibérico na Espanha

20 de Setembro de 2026 às 15:07 3 min de leitura

Mudanças climáticas na Espanha atrasam o acasalamento do veado ibérico, prejudicando a sobrevivência de filhotes. Estudo das universidades de Córdoba e Granada aponta que altas temperaturas e secas afetam a condição física dos animais. O monitoramento populacional é realizado via Big Data pelo Projeto ODISEC do WWF

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Mudanças climáticas atrasam o ciclo reprodutivo do veado ibérico na Espanha
Ciudad Real

As mudanças climáticas estão alterando o ciclo reprodutivo do veado ibérico na Espanha, provocando um atraso no período de acasalamento e impactando a sobrevivência das novas gerações. Um estudo conduzido por pesquisadores das universidades de Córdoba (UCO) e Granada (UGR), com dados coletados durante 25 anos na Reserva Biológica de Doñana, revelou que o aumento das temperaturas e a escassez de chuvas interferem diretamente no comportamento da espécie.

Impacto climático e seleção sexual

Embora a redução da luz solar marque o início da época de reprodução, a intensidade e a data exata do processo são condicionadas pelo clima. A pesquisa identificou que a falta de precipitações no outono anterior prejudica a vegetação da primavera e do verão, comprometendo a condição física dos animais. Esse cenário resultou em uma diminuição na frequência dos grunhidos dos machos e em um paradoxo na seleção sexual: em períodos de seca severa, a dominância dos exemplares mais fortes aumenta, pois apenas eles conseguem atrair as fêmeas sob condições ambientais adversas.

Para a marcação de território, os machos utilizam os chifres em arbustos, deixando rastros visuais e olfativos. A disputa por fêmeas ocorre prioritariamente por meio de caminhadas lado a lado para medir forças e evitar ferimentos. Confrontos diretos com os chifres acontecem apenas em situações de rendição, após semanas de tensão e lutas por posição.

Riscos para a prole e pressão turística

O atraso no acasalamento gera um efeito cascata prejudicial à espécie. Nascimentos que ocorrem no final do ano impedem que os filhotes tenham o tempo de desenvolvimento necessário para suportar o rigor do inverno seguinte.

Paralelamente a esse desafio biológico, o período de reprodução tornou-se um produto de ecoturismo lucrativo na Espanha. A demanda por reservas em parques nacionais e naturais cresceu, com ofertas que variam de trilhas simples na Cantábria, por 15 euros, a safáris em veículos 4x4 na Sierra de Andújar ou no Parque Nacional de Monfragüe. Estes pacotes, que podem chegar a 180 euros, incluem o uso de lentes especiais e degustações de vinho e paté de perdiz.

Conservação e gestão de dados

A exploração comercial tem gerado alertas de conservacionistas. O Fondenex (Fundo para a Defesa do Patrimônio Natural e Cultural de Extremadura) defende que a biologia do animal prevaleça sobre o lucro, argumentando que a intervenção humana excessiva aumenta o estresse da espécie e interrompe suas atividades naturais.

Para mitigar esses riscos, a gestão da caça sustentável baseada em evidências é apontada como a solução. O Projeto ODISEC, do WWF, utiliza Big Data e ciência de dados para unificar censos e monitorar alterações populacionais. O objetivo é ajustar a capacidade de carga dos ecossistemas e manter o equilíbrio entre a estrutura etária e a proporção de machos e fêmeas para garantir a preservação dos veados ibéricos nos montes espanhóis.

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