Ciência

Mudanças climáticas e substâncias químicas podem ampliar riscos à fertilidade de humanos e animais

03 de Maio de 2026 às 09:05

Pesquisadores da Oregon State University indicam que a combinação de mudanças climáticas e exposição a substâncias químicas sintéticas amplia riscos à fertilidade humana e animal. O estudo, publicado na revista npj Emerging Contaminants, analisou 177 pesquisas sobre a ação conjunta de calor extremo e poluentes endócrinos

A interação entre as mudanças climáticas e a exposição a substâncias químicas sintéticas pode ampliar os riscos à fertilidade e à fecundidade de seres humanos, animais silvestres e outros grupos biológicos. A conclusão faz parte de uma revisão publicada em 23 de abril de 2026, na revista científica *npj Emerging Contaminants*, por pesquisadores da Oregon State University, nos Estados Unidos.

O estudo analisou 177 pesquisas científicas para avaliar como diferentes fatores ambientais se acumulam no organismo ao longo do tempo. O ponto central da análise é que o calor extremo, a hipóxia, a poluição química e os compostos que interferem nos hormônios não devem ser vistos como ameaças isoladas, mas como elementos que atuam em conjunto, gerando efeitos aditivos ou sinérgicos.

O aumento das temperaturas globais é um dos eixos principais da investigação. O corpo humano possui limites fisiológicos para a manutenção de seus sistemas, e a ultrapassagem desses limites por períodos prolongados de calor pode causar alterações hormonais e reduzir a eficiência de processos biológicos. Evidências anteriores indicam que o calor impacta a qualidade dos espermatozoides, a ovulação e o ciclo menstrual, além de estar associado a variações nas taxas de natalidade em regiões com ondas de calor frequentes.

Somando-se ao fator climático, a pesquisa destaca a presença de disruptores endócrinos no cotidiano, como os PFAS, microplásticos, ftalatos e bisfenol A. Encontrados em utensílios domésticos, embalagens, produtos industriais e na água, esses compostos imitam ou bloqueiam hormônios naturais, interferindo silenciosamente nos processos reprodutivos.

A interação entre esses dois agentes cria um ciclo de amplificação: o calor pode elevar a absorção de substâncias químicas pelo corpo e alterar a resposta orgânica a elas, enquanto a presença de poluentes torna o organismo mais vulnerável ao estresse térmico. Esse cenário torna os impactos mais significativos do que se cada fator atuasse individualmente.

Esse fenômeno sistêmico também foi observado em organismos aquáticos e animais, com a detecção de problemas no desenvolvimento de embriões, redução da taxa de reprodução e alterações nos ciclos reprodutivos.

Embora a fertilidade seja influenciada por variáveis socioeconômicas, alimentação e estilo de vida, a combinação de toxinas e mudanças climáticas adiciona uma nova camada de complexidade ao problema. Os pesquisadores ressaltam, contudo, que ainda existem lacunas, pois a maioria dos estudos avalia fatores isolados ou utiliza modelos experimentais, demandando investigações mais profundas sobre a interação direta entre clima e poluentes em humanos.

O trabalho evidencia que o risco à fertilidade deixou de ser associado apenas a causas individuais para se tornar resultado de um conjunto de condições ambientais simultâneas, o que dificulta a identificação de causas específicas e a reversão dos danos ao longo do tempo.

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