Mulher de 54 anos tem filha na Grécia após uso de embrião congelado há 22 anos
Uma mulher de 54 anos teve uma filha na Grécia via embrião congelado por 22 anos, 5 meses e 23 dias. O nascimento, ocorrido nesta quarta-feira (9), supera recordes anteriores de criopreservação registrados no Japão e em Israel. A recém-nascida pesou 3.490 g
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Uma mulher de 54 anos deu à luz a uma menina na Grécia, concebida a partir de um embrião congelado há mais de 22 anos. O caso, ocorrido nesta quarta-feira (9), representa possivelmente o período mais longo de criopreservação de material reprodutivo no mundo a resultar em um nascimento bem-sucedido.
O material biológico foi congelado em 17 de março de 2004, mesma época em que Christina Rapti-Tzelepi engravidou pela primeira vez utilizando a técnica de fertilização in vitro. O intervalo exato entre o congelamento e o nascimento da criança foi de 22 anos, 5 meses e 23 dias, superando o recorde anterior de 18 anos e 3 meses, registrado no Japão, e o marco de 17 anos, ocorrido em Israel.
Processo clínico e legislação
A decisão de prosseguir com a gravidez ocorreu após a perda trágica do filho de 21 anos de Christina, em um acidente de carro no ano passado. Para viabilizar o nascimento, a família utilizou os embriões remanescentes do tratamento original de duas décadas atrás.
O procedimento envolveu uma corrida contra o tempo devido à legislação grega, que estabelece os 54 anos como a idade máxima permitida para a reprodução assistida. Para que a gestação fosse possível, Christina precisou concluir as etapas médicas e obter a autorização da Autoridade Nacional de Reprodução Assistida antes de atingir o limite etário.
A recém-nascida nasceu saudável, pesando 3.490 g. De acordo com o ginecologista Konstantinos Pantos, responsável pelo caso e secretário-geral da Sociedade Helênica de Medicina Reprodutiva, o resultado é um avanço clínico e científico relevante.
Impacto no debate sobre fertilidade
A criopreservação funciona através do resfriamento de embriões a temperaturas extremamente baixas, o que interrompe a atividade biológica e permite o armazenamento por longos períodos sem comprometer a viabilidade do material.
O desfecho do caso reacendeu na Grécia a discussão sobre a manutenção do limite de idade para tratamentos de fertilidade. Konstantinos Raptis, marido de Christina, manifestou-se publicamente a favor do fim dessa restrição.
Para o médico Konstantinos Pantos, o episódio deve servir de base para o debate sobre a flexibilização das normas institucionais, defendendo que a medicina deve equilibrar a segurança e as regras estabelecidas com a humanidade e a realidade individual de cada paciente.