Ciência

Mulher de 54 anos tem filha na Grécia após uso de embrião congelado há 22 anos

10 de Setembro de 2026 às 06:00 2 min de leitura

Uma mulher de 54 anos teve uma filha na Grécia via embrião congelado por 22 anos, 5 meses e 23 dias. O nascimento, ocorrido nesta quarta-feira (9), supera recordes anteriores de criopreservação registrados no Japão e em Israel. A recém-nascida pesou 3.490 g

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Mulher de 54 anos tem filha na Grécia após uso de embrião congelado há 22 anos
Reprodução/Redes Sociais

Uma mulher de 54 anos deu à luz a uma menina na Grécia, concebida a partir de um embrião congelado há mais de 22 anos. O caso, ocorrido nesta quarta-feira (9), representa possivelmente o período mais longo de criopreservação de material reprodutivo no mundo a resultar em um nascimento bem-sucedido.

O material biológico foi congelado em 17 de março de 2004, mesma época em que Christina Rapti-Tzelepi engravidou pela primeira vez utilizando a técnica de fertilização in vitro. O intervalo exato entre o congelamento e o nascimento da criança foi de 22 anos, 5 meses e 23 dias, superando o recorde anterior de 18 anos e 3 meses, registrado no Japão, e o marco de 17 anos, ocorrido em Israel.

Processo clínico e legislação

A decisão de prosseguir com a gravidez ocorreu após a perda trágica do filho de 21 anos de Christina, em um acidente de carro no ano passado. Para viabilizar o nascimento, a família utilizou os embriões remanescentes do tratamento original de duas décadas atrás.

O procedimento envolveu uma corrida contra o tempo devido à legislação grega, que estabelece os 54 anos como a idade máxima permitida para a reprodução assistida. Para que a gestação fosse possível, Christina precisou concluir as etapas médicas e obter a autorização da Autoridade Nacional de Reprodução Assistida antes de atingir o limite etário.

A recém-nascida nasceu saudável, pesando 3.490 g. De acordo com o ginecologista Konstantinos Pantos, responsável pelo caso e secretário-geral da Sociedade Helênica de Medicina Reprodutiva, o resultado é um avanço clínico e científico relevante.

Impacto no debate sobre fertilidade

A criopreservação funciona através do resfriamento de embriões a temperaturas extremamente baixas, o que interrompe a atividade biológica e permite o armazenamento por longos períodos sem comprometer a viabilidade do material.

O desfecho do caso reacendeu na Grécia a discussão sobre a manutenção do limite de idade para tratamentos de fertilidade. Konstantinos Raptis, marido de Christina, manifestou-se publicamente a favor do fim dessa restrição.

Para o médico Konstantinos Pantos, o episódio deve servir de base para o debate sobre a flexibilização das normas institucionais, defendendo que a medicina deve equilibrar a segurança e as regras estabelecidas com a humanidade e a realidade individual de cada paciente.

Com informações de G1

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