Museu de Oxford doa 62 fósseis de origem brasileira ao Museu Nacional no Rio de Janeiro
O Museu de História Natural da Universidade de Oxford doará 62 fósseis de origem brasileira ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro. O material, coletado no Paraná e no Ceará, visa recompor o acervo da instituição brasileira após o incêndio de 2018
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O Museu de História Natural da Universidade de Oxford, no Reino Unido, enviará definitivamente 62 fósseis ao Museu Nacional, no Rio de Janeiro. A iniciativa integra um esforço global de instituições para auxiliar na recomposição do acervo da instituição brasileira, severamente impactado pelo incêndio ocorrido em 2 de setembro de 2018.
Critérios de seleção e origem do material
Para definir as peças a serem doadas, a curadoria de Oxford realizou um levantamento de todos os espécimes de origem brasileira em sua coleção, totalizando 118 itens. O material foi coletado em dois momentos distintos: a primeira remessa, proveniente do Paraná, foi reunida pelo pesquisador J. A. Cartwright em 1979; a segunda, originária do Ceará, foi descoberta pelo geólogo Philip Powell em 1993.
A seleção dos 62 fósseis que retornarão ao Brasil seguiu dois critérios técnicos principais:
- Manutenção no Reino Unido de peças que estão sob estudo ativo no momento;
- Permanência de espécimes-tipo, que servem como referência formal para descrições científicas e precisam estar vinculados ao local de publicação do artigo acadêmico para evitar problemas burocráticos em futuras replicações de estudos.
Parte do material doado possui mais de 400 milhões de anos, sendo anterior ao período dos dinossauros. Segundo a paleontóloga Emma Nicholls, gerente de coleções do museu de Oxford, as peças apresentam excelente estado de conservação, o que viabiliza novas pesquisas sobre o passado geológico das regiões brasileiras.
Impactos e recuperação do Museu Nacional
O incêndio de 2018 destruiu entre 80% e 85% do acervo do Museu Nacional. A perda ocorreu tanto pela ação direta das chamas, que consumiram materiais orgânicos como madeira e penas, quanto pelo colapso estrutural do Paço de São Cristóvão, que fragmentou peças de cerâmica.
Atualmente, a instituição trabalha na restauração de mais de 5 mil itens resgatados dos escombros, processo que deve levar anos. Paralelamente, o museu tem recebido outras doações internacionais, como mil fósseis provenientes de uma família alemã, objetos de um explorador do Xingu enviados por uma instituição austríaca e materiais doados por um médico brasileiro que atuou na África. Esforços diplomáticos também permitiram o retorno de itens importantes, como um manto tupinambá que estava na Dinamarca.
Status da reconstrução e funcionamento
A fachada principal do Paço de São Cristóvão, antiga residência imperial, foi totalmente recuperada em 2024 com suas cores originais. A previsão é que o museu retome seu funcionamento pleno até o final de 2029.
Enquanto a obra avança, algumas salas permanecem abertas ao público, expondo itens emblemáticos como o meteorito Bendegó. A instituição também apresenta instrumentos musicais confeccionados com madeiras recuperadas do incêndio por um bombeiro, que já foram utilizados por artistas como Paulinho da Viola e Gilberto Gil.
Sobre as causas do desastre, a Polícia Federal concluiu que não houve crime. A investigação apontou como hipótese mais provável uma falha elétrica em um aparelho de ar-condicionado, resultado de anos de falta de recursos e manutenção precária do prédio.