Ciência

NASA busca empresas privadas para elevar a órbita do telescópio espacial Hubble

06 de Novembro de 2026 às 12:01 3 min de leitura

A NASA busca empresas privadas para evitar que o telescópio Hubble reentre na atmosfera entre 2033 e 2034. A consulta pública avalia a elevação orbital para no mínimo 600 quilômetros, manutenção técnica ou descarte controlado. Propostas devem ser enviadas até 30 de novembro de 2026

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NASA busca empresas privadas para elevar a órbita do telescópio espacial Hubble
O Hubble fotografado sobre a Terra em maio de 2009, após sua última manutenção. A NASA estuda possibilidades de elevar a órbita do observatório antes da reentrada estimada para 2033–2034. Foto: NASA.

A NASA iniciou a busca por empresas do setor privado capazes de intervir na trajetória do telescópio espacial Hubble, que enfrenta um processo gradual de perda de altitude. Após 36 anos em operação, o observatório corre o risco de reentrar na atmosfera terrestre entre 2033 e 2034, caso não seja reposicionado em uma órbita mais elevada.

O fenômeno, conhecido como arrasto atmosférico, ocorre porque, mesmo a cerca de 480 quilômetros de altitude — marca registrada pelo Instituto de Ciência do Telescópio Espacial (STScI) —, ainda existem partículas atmosféricas que geram resistência contra o equipamento. Como o Hubble não possui motores próprios para corrigir sua posição, essa força acumulada reduz sua altura, levando-o a camadas mais densas da atmosfera e acelerando sua descida.

Estratégias de preservação e manutenção

Em 29 de outubro de 2026, a agência abriu a consulta pública de mercado 80GSFC27RFIHSTS para avaliar a viabilidade técnica e os custos de três cenários possíveis:

  • Elevação orbital: O envio de uma espaçonave para capturar o telescópio e elevá-lo para, no mínimo, 600 quilômetros de altitude, reduzindo a resistência atmosférica e prolongando sua vida útil.
  • Manutenção técnica: Intervenções para aprimorar o desempenho e a confiabilidade dos sistemas científicos.
  • Descarte controlado: A condução de uma reentrada orientada ou descarte orbital ao final da vida útil do instrumento.

Para que qualquer operação de elevação seja viável, a nave precisaria sincronizar sua trajetória com a velocidade orbital do Hubble e realizar a captura. Um facilitador para essa manobra é um mecanismo de captura instalado na parte traseira do observatório por astronautas do ônibus espacial Atlantis em 2009, que serve como interface física para naves de serviço.

Importância científica e legado

Lançado em 24 de abril de 1990 pelo ônibus espacial Discovery, o Hubble superou falhas iniciais no espelho principal e passou por cinco missões de manutenção até maio de 2009. Atualmente, com quatro instrumentos operacionais, o telescópio permanece essencial para a astronomia, pois complementa as capacidades do telescópio James Webb. Enquanto o Webb foca no infravermelho, o Hubble opera com luz visível e ultravioleta, permitindo a análise de atmosferas planetárias, química de gases e a evolução de galáxias.

A relevância do observatório é refletida nos dados do STScI, que contabiliza mais de 23 mil trabalhos científicos produzidos e a publicação de mais de mil artigos anualmente. Mesmo com a necessidade de adaptar o apontamento devido ao número reduzido de giroscópios, a demanda por tempo de observação continua superior à capacidade do equipamento.

Próximos passos e viabilidade

Embora a NASA tenha analisado propostas semelhantes em 2022 — incluindo o uso da nave Dragon —, a agência decidiu em 2024 não avançar com a missão naquelas condições após a avaliação de riscos. A nova consulta visa aproveitar a evolução do mercado de serviços e inspeções em órbita.

As empresas interessadas têm até 30 de novembro de 2026 para enviar suas propostas. Caso um contrato seja firmado, a operação deverá ocorrer até 2032, podendo envolver equipes de astronautas, dependendo do projeto apresentado. A decisão final da NASA dependerá da segurança técnica e da disponibilidade de recursos financeiros.

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