Nasa coloca em órbita telescópio para realizar mapeamento do universo em escala inédita
A Nasa lançou no domingo (30) o telescópio Nancy Grace Roman, via foguete Falcon Heavy, para mapear o universo. O equipamento de 4,3 bilhões de dólares seguirá para um ponto a 1,6 milhão de quilômetros da Terra, com previsão de envio de imagens para 2027. O dispositivo possui campo de visão 100 vezes maior que o do Hubble e focará em exoplanetas, buracos negros, matéria e energia escuras
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A Nasa colocou em órbita, neste domingo (30), o telescópio espacial Nancy Grace Roman, equipamento desenvolvido para realizar o mapeamento do universo em escala inédita. O lançamento ocorreu no Centro Espacial Kennedy, utilizando um foguete Falcon Heavy da SpaceX, com potência três vezes superior à convencional.
O dispositivo, orçado em 4,3 bilhões de dólares (R$ 22,3 bilhões), segue agora para um ponto de observação situado a 1,6 milhão de quilômetros de distância, a mesma localização do telescópio James Webb. A previsão é que o Roman atinja seu destino em mais de três meses, iniciando o envio de imagens no começo de 2027.
Capacidade técnica e comparação com o Hubble
Com dimensões semelhantes às de um ônibus, o novo telescópio opera sob a mesma lógica do Hubble, lançado em 1990. No entanto, o Roman apresenta um campo de visão mais de 100 vezes superior ao do seu predecessor, que atualmente opera com capacidades reduzidas devido ao desgaste natural após 36 anos de atividade.
A eficiência na coleta de dados é o principal diferencial tecnológico. Enquanto o Hubble acumulou cerca de 400 terabytes em mais de 35 anos, estima-se que o Roman gere mais de 500 terabytes anualmente. Essa disparidade permite que observações que levariam um século para serem concluídas pelo Hubble sejam realizadas em apenas um mês.
Instrumentação e objetivos científicos
O equipamento conta com uma câmera infravermelha de amplo campo que, embora possua a mesma sensibilidade do Hubble, é mil vezes mais veloz. Além disso, o Roman integra um coronógrafo experimental, instrumento capaz de bloquear a luz das estrelas para criar eclipses artificiais, permitindo a fotografia direta de exoplanetas, independentemente de quão tênue seja a luminosidade do planeta.
O foco das pesquisas abrangerá a análise de buracos negros, estrelas em explosão e a investigação de forças invisíveis. Através de um catálogo de galáxias, os astrônomos pretendem mensurar a velocidade de expansão do universo e aprofundar o conhecimento sobre a matéria escura e a energia escura.
Sustentabilidade e complementariedade
Diferente de missões anteriores, o projeto foi concebido para permitir o reabastecimento. Caso a tecnologia de tanques robóticos seja viabilizada na próxima década, a vida útil do telescópio poderá ser prolongada.
O Roman atuará em conjunto com o James Webb, lançado no final de 2021. Enquanto o Webb observa o cosmos em comprimentos de onda distintos, o novo telescópio e o Hubble compartilham a mesma base de observação infravermelha, porém com capacidades de processamento e amplitude drasticamente diferentes.