Ciência

NASA confirma que luz vermelha registrada na França é um fenômeno elétrico chamado sprite

19 de Maio de 2026 às 15:20

A NASA identificou como um sprite a luz vermelha registrada sobre o Château de Beynac, na França. O fenômeno é um evento elétrico raro que ocorre na mesosfera, entre 50 e 80 quilômetros de altitude

NASA confirma que luz vermelha registrada na França é um fenômeno elétrico chamado sprite
Fonte: NASA

A NASA esclareceu a natureza de um fenômeno luminoso registrado acima do Château de Beynac, no sudoeste da França, que viralizou no final de 2025. A imagem, capturada pelo fotógrafo Nicolas Escurat e selecionada como a "Imagem do Mês" na seção de ciência do calendário da agência, mostra uma luz vermelha em formato de água-viva sobre um céu de tempestade. O registro alimentou especulações em redes sociais sobre a existência de OVNIs ou testes militares, mas a agência confirmou tratar-se de um *sprite*.

Os *sprites* integram a categoria de Eventos Luminosos Transitórios (TLEs), fenômenos elétricos raros que ocorrem na mesosfera, entre 50 e 80 quilômetros de altitude. Eles surgem milissegundos após raios intensos na troposfera, manifestando-se como figuras avermelhadas que piscam rapidamente. A cor característica resulta da excitação de moléculas de nitrogênio nas camadas superiores da atmosfera ao serem atingidas por descargas elétricas vindas de baixo.

A nomenclatura desses eventos, inspirada em criaturas do folclore europeu, reflete a natureza fugaz dos fenômenos. Além dos *sprites*, a ciência estuda os ELVEs — anéis luminosos que se expandem por centenas de quilômetros próximos à ionosfera, a cerca de 100 km de altitude —, além de *halos*, *blue jets*, *gigantic jets* e *green ghosts*.

Embora relatos de pilotos sobre luzes estranhas existam desde o século XVIII, o reconhecimento científico ocorreu apenas em 1989, quando pesquisadores da Universidade de Minnesota filmaram um *sprite* acidentalmente. Devido à dificuldade de observação direta, a NASA criou o projeto Spritacular, coordenado pela física Burcu Kosar, do Goddard Space Flight Center. A iniciativa de ciência cidadã organiza registros de fotógrafos amadores em um banco de dados global para integrar imagens esporádicas à pesquisa formal.

A observação orbital também é crucial. Em setembro de 2025, a astronauta Nichole Ayers fotografou da Estação Espacial Internacional (ISS) um *gigantic jet*, descarga que parte do topo da nuvem em direção ao espaço. Esses dados orbitais permitem mapear a física e a distribuição global dos TLEs.

O estudo desses eventos é fundamental, pois eles alteram as propriedades químicas e elétricas da alta atmosfera, impactando sinais de GPS, comunicações de longa distância e operações de satélites, áreas essenciais para a defesa e aplicações civis. A escala desses processos elétricos parece ser planetária, já que a missão Juno detectou *sprites* e ELVEs na atmosfera de Júpiter em 2020.

A NASA ressaltou que esses fenômenos não oferecem risco à população ou à aviação comercial, visto que aeronaves civis voam a aproximadamente 12 quilômetros de altitude, enquanto os *sprites* ocorrem a partir de 50 quilômetros, impossibilitando qualquer interação operacional.

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