NASA contrata empresa para resgatar observatório espacial que corre risco de reentrar na atmosfera
A NASA contratou a Katalyst Space Technologies para desenvolver a nave robótica LINK, que deve elevar a órbita do Observatório Neil Gehrels Swift. O telescópio perdeu altitude devido ao ciclo solar e corre risco de reentrar na atmosfera terrestre. O lançamento do veículo de resgate está agendado para 27 de junho
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A NASA planeja resgatar o Observatório Neil Gehrels Swift, que corre o risco de reentrar na atmosfera terrestre ainda este ano devido à perda progressiva de altitude. Para evitar a interrupção precoce da missão, a agência selecionou, em setembro de 2025, a empresa Katalyst Space Technologies para desenvolver a LINK, uma nave robótica projetada para capturar o telescópio e impulsioná-lo para uma órbita mais elevada.
Lançado em 2004 para monitorar explosões de raios gama — eventos capazes de liberar mais energia em segundos do que o Sol emitirá em toda a sua existência —, o Swift detectou mais de 2 mil desses fenômenos. O observatório foi fundamental para a compreensão da origem de elementos pesados, a exemplo da platina e do ouro.
Originalmente posicionado a 600 quilômetros de altitude, o telescópio opera atualmente a cerca de 370 quilômetros da superfície. A degradação da órbita foi acelerada por um ciclo solar mais intenso do que o previsto, que aqueceu e expandiu a atmosfera externa da Terra, aumentando o arrasto sobre satélites em órbita baixa. Como o Swift não possui sistema de propulsão próprio para corrigir sua trajetória ou velocidade, a queda tornou-se inevitável sem intervenção externa.
Embora a previsão de atividade fosse até o início da década de 2030, a gravidade da situação foi constatada em 2024, reduzindo a janela de operação para apenas alguns meses. Diante disso, a nave LINK foi construída em um prazo recorde de sete meses para a indústria espacial. O lançamento do veículo, a bordo de um foguete Pegasus XL, está agendado para 27 de junho.
Após a fase de testes, a LINK executará manobras de aproximação para conectar-se ao observatório por meio de braços robóticos, elevando a órbita do Swift gradualmente ao longo de várias semanas. A operação é complexa porque o telescópio não foi projetado para esse tipo de acoplamento. Além disso, a missão enfrenta riscos como danos estruturais por envelhecimento, falhas técnicas e novas tempestades solares.
O fator tempo é determinante: se o Swift descer abaixo de 300 quilômetros, a nave de resgate poderá não conseguir alcançá-lo. O sucesso da operação pode estender a vida útil do instrumento por cinco anos. A relevância do resgate justifica-se pela ausência de outro telescópio espacial com a mesma flexibilidade e tempo de resposta para a observação de alvos cósmicos extremos, conforme pontuado pelo astrônomo Daniel Perley.