Ciência

NASA e ESA detectam alta concentração de carbono em cometa interestelar 3I/ATLAS

27 de Maio de 2026 às 12:32

NASA e ESA detectaram concentrações de carbono superiores às de cometas do sistema solar no objeto interestelar 3I/ATLAS. A análise ocorreu no final de 2025 por meio de medições coordenadas entre as sondas Europa Clipper e JUICE. As naves identificaram emissões de hidrogênio, oxigênio e carbono em faces opostas do cometa

NASA e ESA detectam alta concentração de carbono em cometa interestelar 3I/ATLAS
ESA/Juice/MAJIS

A análise simultânea de dois lados do cometa interestelar 3I/ATLAS, realizada pela NASA e pela ESA no final de 2025, revelou concentrações de carbono superiores às encontradas em cometas típicos do sistema solar. A observação ocorreu no momento em que o objeto emergiu de trás do Sol, tornando sua envolta de gás e poeira particularmente brilhante.

A detecção foi possível graças à coordenação entre as missões Europa Clipper, dos Estados Unidos, e JUICE, da Europa. Ambas as naves utilizam instrumentos UVS, gerenciados pelo Southwest Research Institute. O diferencial técnico da operação foi o posicionamento das sondas: enquanto o cometa transitava entre as duas naves, as equipes realizaram medições coordenadas para analisar faces opostas do objeto, um procedimento inédito em estudos cometários.

Essa perspectiva dupla permitiu distinguir a composição da coma, a nuvem que envolve o núcleo. A sonda Europa Clipper registrou a face noturna, caracterizada por uma grande dispersão de poeira, enquanto a JUICE captou o gás brilhante na face iluminada pelo Sol. Os instrumentos detectaram emissões de hidrogênio, oxigênio e carbono, resultantes da fragmentação de gases do núcleo ao serem expostos à radiação solar.

O 3I/ATLAS é apenas o terceiro objeto interestelar identificado a atravessar o sistema solar. Por ter se formado ao redor de outra estrela, sua análise oferece dados sobre ambientes planetários distantes sem a necessidade de missões interestelares. O monitoramento prolongado por vários dias permitiu observar a variação nas proporções das moléculas expelidas conforme o cometa avançava e se aquecia, liberando água congelada, gelo de dióxido de carbono e outros compostos preservados desde a sua origem.

A comparação entre a quantidade de gelo de água e gelo seco do 3I/ATLAS em relação aos cometas nativos do sistema solar serve para determinar se o ambiente químico onde o objeto nasceu era semelhante ao nosso ou se foi moldado por condições distintas.

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