Ciência

NASA envia suprimentos para a Estação Espacial Internacional para pesquisas sobre a saúde humana

17 de Outubro de 2026 às 12:00 3 min de leitura

A NASA enviou 2.858 kg de suprimentos à Estação Espacial Internacional via espaçonave Dragon entre os dias 12 e 15. A carga contém materiais para pesquisas sobre microgravidade no corpo humano, incluindo estudos com tecidos cardíacos, cerebrais e retinas artificiais. A missão inclui ferramentas de monitoramento biológico e análise de resistência bacteriana

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NASA envia suprimentos para a Estação Espacial Internacional para pesquisas sobre a saúde humana
NASA

A NASA enviou 2.858 kg de suprimentos e insumos para a Estação Espacial Internacional (ISS) em uma missão realizada pela espaçonave Dragon, da SpaceX. A carga, que decolou na terça-feira (12) e chegou ao destino na quinta-feira (15), transporta materiais destinados a projetos de pesquisa que visam compreender e mitigar os impactos da microgravidade no organismo humano, especialmente em missões de longa duração.

Saúde neurológica e cardiovascular

O foco central de parte dos estudos recai sobre o cérebro e o coração, órgãos severamente afetados pela ausência de gravidade. Para isso, foram enviadas amostras de tecidos humanos para a realização de testes específicos:

  • miBrains: Modelos de cérebros humanos cultivados em laboratório serão utilizados em duas frentes. O experimento AVATAR-ORg1 monitorará as alterações nesses tecidos durante cinco semanas, comparando os resultados com amostras mantidas na Terra. Paralelamente, outra pesquisa utilizará "vilas organoides" — combinações de células de diversos indivíduos — para analisar a relação entre inflamações e doenças neurodegenerativas, como esclerose múltipla, Parkinson e Alzheimer.
  • Tecido cardíaco: Modelos tridimensionais de tecidos do coração serão submetidos à microgravidade para que cientistas observem como a função e o crescimento do órgão são alterados, fornecendo dados para o desenvolvimento de novos medicamentos e tratamentos de doenças cardíacas.

Inovação em retinas artificiais

A ISS também servirá de base para o LambdaVision-1, projeto que busca criar retinas artificiais para restaurar a visão de pessoas com cegueira causada por doenças degenerativas. A tecnologia utiliza a bacteriorrodopsina, proteína do organismo Halobacterium salinarum que reage à luz.

A produção desse material no espaço é fundamental porque, sob a gravidade terrestre, as camadas de proteína tornam-se instáveis e inconsistentes. No ambiente de microgravidade, a estrutura torna-se mais uniforme, permitindo que a retina artificial imite com precisão a absorção de luz das células fotorreceptoras humanas.

Monitoramento biológico e riscos bacterianos

Para enfrentar problemas como a perda de densidade óssea, alterações na pressão intracraniana e mudanças no formato do cérebro, a NASA implementou novas ferramentas de diagnóstico e segurança:

  • ELISA MABL: Este ensaio imunoabsorvente enzimático utiliza um leitor de microplacas compacto para detectar proteínas, antígenos e anticorpos em amostras biológicas. A tecnologia permite que a saúde dos astronautas seja monitorada em tempo real, eliminando a dependência de análises realizadas apenas após o retorno à Terra.
  • GEARS: O estudo de enumeração genômica focará na resistência a antibióticos de duas bactérias identificadas na estação: Enterococcus faecalis e Enterococcus faecium. O objetivo é entender o desenvolvimento desses microrganismos em ambientes fechados e em microgravidade para prevenir infecções na tripulação.

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