Ciência

NASA enviará câmara robótica à Lua em 2026 para estudar o comportamento do fogo

30 de Abril de 2026 às 06:22

A NASA enviará uma câmara robótica à Lua no final de 2026, por meio da missão FM2, para estudar a combustão em gravidade parcial. O experimento testará a inflamabilidade de quatro amostras de combustível sólido e o efeito de atmosferas ricas em oxigênio. A iniciativa visa garantir a segurança de astronautas nas missões Artemis III e Artemis IV

A NASA planeja enviar uma câmara robótica selada à superfície lunar no final de 2026 para a missão de Inflamabilidade de Materiais na Lua, conhecida como FM2. O objetivo é investigar como o fogo se comporta em gravidade parcial, visando garantir a segurança de astronautas nas futuras missões Artemis III e Artemis IV, que preveem o retorno de humanos à Lua.

O experimento surge para preencher uma lacuna técnica: enquanto a agência já domina a combustão em microgravidade — estudada por décadas em torres de queda e cápsulas próximas à Estação Espacial Internacional —, a gravidade lunar, que é cerca de um sexto da terrestre, cria um cenário intermediário e imprevisível. Na Terra, as chamas funcionam como bombas de calor, onde gases quentes sobem e ar frio entra, fornecendo oxigênio constante. No espaço, a ausência de gravidade transforma as chamas em bolhas esféricas dependentes do fluxo de ar da cabine. Na Lua, porém, o fluxo de ar pode ser suficiente para alimentar o fogo, mas insuficiente para ativar os mecanismos naturais de extinção.

Essa dinâmica altera a periculosidade dos materiais. Pesquisadores avaliam que itens considerados marginalmente não inflamáveis na Terra podem se tornar combustíveis em gravidade reduzida, revelando riscos ocultos em plásticos e tecidos utilizados pelas tripulações. Atualmente, a qualificação de materiais segue o protocolo NASA-STD-6001B, que reprova tecidos ou plásticos caso a chama suba mais de 15 centímetros ou solte detritos em ignição.

O sistema automatizado da missão FM2 inflamará sistematicamente quatro amostras de combustível sólido, monitoradas por sensores de oxigênio, radiômetros e câmeras. A operação permitirá observações prolongadas, superando a limitação de tempo de voos parabólicos ou torres de queda livre, e registrará desde o nascimento até a propagação da chama.

Além da gravidade, a missão analisará como atmosferas enriquecidas com oxigênio, que facilitam o suporte à vida em habitats, podem acelerar a propagação de incêndios. Embora testes de qualificação em larga escala dependam de uma presença humana permanente na Lua, este conjunto inicial de experimentos busca validar se os materiais confiáveis na Terra permanecem seguros sob a gravidade lunar, evitando que pequenos focos de incêndio se tornem ameaças graves em habitats artificiais.

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