Ciência

Nasa lança observatório espacial em homenagem à cientista Nancy Grace Roman

01 de Setembro de 2026 às 09:07 3 min de leitura

A Nasa lançou o Telescópio Roman, observatório espacial voltado para levantamentos do céu em larga escala. O equipamento homenageia a cientista Nancy Grace Roman, pioneira na estruturação do programa de astronomia da agência

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A Nasa lançou um novo observatório espacial batizado em homenagem a Nancy Grace Roman, cientista cujas contribuições foram fundamentais para a astrofísica moderna e para a consolidação da era dos telescópios em órbita. Diferente do Telescópio Espacial James Webb (JWST), que foca em detalhes extraordinários de objetos individuais, o Telescópio Roman foi projetado para realizar levantamentos do céu em larga escala. Essa capacidade de monitorar vastas áreas do cosmos permitirá que astrônomos compreendam a transformação do Universo, complementando as descobertas do JWST sobre as primeiras estrelas e galáxias pós-Big Bang, e a herança de dados do Telescópio Espacial Hubble, lançado em 1990.

A trajetória de Nancy Grace Roman

Nascida em Nashville, Tennessee, Roman formou-se em astronomia pelo Swarthmore College em 1946 e obteve seu doutorado na Universidade de Chicago. No Observatório Yerkes, ela desenvolveu pesquisas que revelaram a existência de diferentes populações de estrelas na Via Láctea, ao correlacionar a composição química dos astros com seus movimentos no céu.

A cientista identificou que a quantidade de elementos químicos mais pesados que o hélio estava ligada à direção e velocidade de afastamento das estrelas. A partir disso, Roman criou um modelo matemático que permitiu analisar a origem das estrelas em nebulosas, comprovando que astros em uma mesma região podem ter idades distintas, o que forneceu evidências concretas sobre a estrutura da nossa galáxia. Para seus estudos, ela utilizou o método de excesso de UV para a identificação de estrelas, técnica que permanece em uso na atualidade.

Superação e liderança na Nasa

A carreira de Roman foi marcada pela luta contra a discriminação de gênero. No Observatório Yerkes, ela enfrentou desigualdade salarial, chegando a ganhar cerca de 60% do salário de seus colegas homens. Diante da percepção de que seu gênero impediria a ascensão ao cargo de professora titular, Roman migrou para o Laboratório de Pesquisa Naval, em Washington, DC. Lá, atuou como chefe de espectroscopia de micro-ondas, utilizando ondas de rádio para mapear a Via Láctea e aumentar a precisão da distância entre a Terra e a Lua.

Com a fundação da Nasa em 1958, Roman foi recrutada para estruturar o programa de astronomia da agência. Em 1959, assumiu como chefe de astronomia observacional, tornando-se a primeira mulher a ocupar um cargo executivo na instituição. Em um período de forte disparidade salarial e social nos Estados Unidos, ela detinha a responsabilidade exclusiva de decidir o financiamento de projetos astronômicos, função que hoje é desempenhada por painéis de revisão por pares.

O legado dos telescópios espaciais

Nancy Grace Roman foi peça-chave na implementação de observatórios fora da atmosfera terrestre, visando eliminar a distorção atmosférica para obter imagens mais nítidas. Ela supervisionou o lançamento de telescópios que operavam em raios X e ultravioleta, além de colaborar no lançamento do Observatório Aéreo Kuiper, voltado para comprimentos de onda infravermelhos.

Essas missões iniciais serviram como prova de conceito para justificar investimentos em projetos maiores. Roman mobilizou a comunidade científica e realizou palestras públicas para angariar apoio ao que viria a ser o Telescópio Espacial Hubble. Devido a esse esforço, foi apelidada de "mãe do Hubble" por Ed Weiler, chefe científico da Nasa. A nomeação do novo telescópio espacial busca reconhecer a trajetória de Roman, que faleceu em 2018, e divulgar seu papel como arquiteta da astronomia moderna.

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