Nasa perde contato com a sonda Maven e reduz frota de satélites em Marte
A Nasa perdeu o contato com a sonda Maven em dezembro de 2025, reduzindo para sete o total de orbitadores em Marte. Para repor a frota, a empresa Blue Origin foi selecionada em setembro de 2026 para entregar um novo satélite até o fim de 2028
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A frota de satélites ativos em órbita de Marte sofreu uma redução em dezembro de 2025, após a Nasa perder o contato com a sonda Maven (Mars Atmosphere and Volatile EvolutioN). O incidente diminuiu para sete o número total de orbitadores no planeta, reduzindo a representação da agência espacial americana para duas unidades.
A perda da Maven, que chegou ao planeta vermelho em 2014, marca a segunda vez no século XXI que a Nasa perde um orbitador durante operações rotineiras, sendo a primeira ocorrência em 2006 com o Mars Global Surveyor, devido a falhas de software. O encerramento prematuro da missão interrompe um histórico de quase duas décadas de operações que terminavam conforme o cronograma previsto.
Infraestrutura de comunicação e ciência
Os satélites em órbita de Marte desempenham funções duplas: a coleta de dados científicos e a operação como repetidores de rádio essenciais para transmitir informações de rovers, como o Curiosity e o Perseverance, e de módulos de pouso, como o InSight, de volta à Terra.
A importância dessa infraestrutura é exemplificada pela câmera HiRISE (High-Resolution Imaging Science Experiment), instalada no Mars Reconnaissance Orbiter, que fornece as imagens de maior resolução disponíveis para a seleção de locais seguros de pouso.
No campo científico, a observação contínua permitiu a análise de fenômenos como:
- Estações marcianas: Processo em que cerca de 25% da atmosfera se transforma em gelo sazonal na superfície.
- Formações araneiformes: Estruturas no solo possivelmente originadas por gêiseres de dióxido de carbono.
- Tempestades globais de poeira: Eventos raros que obscurecem todo o planeta; a Maven registrou apenas uma dessas ocorrências, em 2018, durante seus 11 anos de operação.
Renovação da frota e prazos
Para mitigar a perda da sonda e preparar futuras missões, a Nasa selecionou a empresa Blue Origin em setembro de 2026. A companhia de Jeff Bezos deverá entregar um novo satélite de telecomunicações até 31 de dezembro de 2028.
A janela de lançamento para Marte ocorre aproximadamente a cada dois anos, quando a proximidade entre a Terra e o planeta reduz a necessidade de combustível. Caso o projeto da Blue Origin não seja concretizado no prazo, a próxima oportunidade de envio será apenas em 2030 ou 2031.
Desafios do ambiente espacial
A longevidade dos equipamentos é um fator crítico, dado que a radiação solar e as oscilações térmicas degradam os sistemas. Atualmente, a frota conta com veteranos como o 2001 Mars Odyssey (25 anos de operação), o Mars Express (23 anos) e o Mars Reconnaissance Orbiter (20 anos).
Embora a Nasa tenha um histórico de equipamentos que superam a vida útil projetada — como os rovers Spirit e Opportunity —, a degradação é inevitável. Um exemplo recente foi a falha do espectrômetro do Mars Reconnaissance Orbiter em 2023.
Até que o relatório oficial sobre a Maven seja divulgado, a comunidade científica aguarda a compreensão das causas da falha para tentar prolongar a vida útil dos satélites remanescentes.