NASA planeja construir base lunar permanente até 2030 para preparar expedições a Marte
A NASA planeja construir uma base lunar permanente até 2030, com cronograma de 79 lançamentos e 73 pousos na Lua até 2036. O projeto prevê missões robóticas até 2027 e a posterior realização de dois pousos tripulados anuais. A iniciativa visa a exploração de recursos como gelo de água, hélio-3 e metais de terras raras
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A NASA planeja a construção de uma base lunar permanente até 2030, utilizando a Lua como etapa preparatória para futuras expedições a Marte. O projeto visa permitir que seres humanos aprendam a viver e trabalhar de forma produtiva fora da Terra, consolidando a presença humana no satélite.
O cronograma da agência prevê um ritmo intenso de atividades até 2036, com a realização de 79 lançamentos e 73 pousos na Lua. Até 2027, a prioridade serão as missões robóticas não tripuladas; após esse período, a meta é efetuar dois pousos tripulados anualmente. Esse movimento sucede a missão Artemis II, que levou quatro tripulantes em um voo ao redor da Lua em 2026.
Mudança de paradigma operacional
Para viabilizar a base, a NASA precisa transitar de uma "mentalidade de missão" — focada em objetivos individuais e isolados — para uma "cultura de campanha". Essa nova abordagem é essencial para que missões subsequentes possam retornar ao mesmo local e aproveitar a infraestrutura e os resultados deixados por etapas anteriores.
A escolha do local de instalação da base depende de critérios técnicos e econômicos. O terreno deve ser relativamente plano para garantir a segurança de pousos e decolagens, além de possuir espaço suficiente para atrair investimentos do setor privado, que poderá fornecer serviços e operar na região.
Sustentabilidade e recursos lunares
A manutenção da vida na Lua exigirá energia contínua, proveniente de fontes solares, células de combustível ou fissão nuclear. Um fator crítico para a sustentabilidade e a economia local é o acesso a recursos como o gelo de água, fundamental para o suporte à vida e a produção de combustível de foguetes.
Além do suporte vital, a Lua oferece minerais que podem ser exportados para a Terra, caso existam reservas economicamente viáveis:
- Hélio-3: Abundante no satélite e escasso no planeta, este recurso é potencial combustível para energia de fusão nuclear e útil na refrigeração de computadores quânticos.
- Metais de terras raras: Detectados via análise orbital, esses minerais são essenciais para a defesa, energia limpa, fabricação avançada e eletrônicos de consumo.
Para que a extração se torne realidade, a agência precisará de veículos de exploração de superfície para mapear a composição e a quantidade desses depósitos, além de desenvolver métodos de refino e infraestrutura adaptados ao ambiente lunar.
Impactos tecnológicos na Terra
A superação dos desafios técnicos para a sobrevivência no espaço deve gerar inovações aplicáveis no planeta. Entre as possibilidades estão os sistemas de suporte à vida em circuito fechado — com o reaproveitamento de calor, água, dióxido de carbono e resíduos humanos — e a implementação da mineração sem água. Esta última tecnologia poderia eliminar o uso de tanques de resíduos tóxicos em minas terrestres, reduzindo riscos ambientais.
Assim como o programa Apolo impulsionou a miniaturização de eletrônicos que permitiu a criação dos celulares, o programa Artemis tem o potencial de inaugurar um novo setor da economia global, abrangendo a superfície lunar e o espaço entre a Terra e a Lua.