NASA planeja construir bases permanentes na Lua com início das obras em 2032
A NASA prevê o pouso de duas missões tripuladas na Lua em 2028 e o início da construção de bases permanentes em 2032, sob liderança de Carlos García-Galán. O projeto analisa os impactos da baixa gravidade e da radiação no organismo humano para viabilizar estadias prolongadas. A agência propõe nutrição personalizada, exercícios adaptados e monitoramento médico para mitigar riscos biológicos
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A NASA planeja a consolidação de bases permanentes na Lua, com a previsão de que duas missões tripuladas pousem na superfície lunar em 2028. Esse cronograma sucede as etapas iniciais da missão Artemis I e a Artemis II, que retomou a presença humana no satélite natural da Terra, evento que não ocorria desde 1972. A liderança da futura instalação permanente foi atribuída ao espanhol Carlos García-Galán, com a construção prevista para iniciar em 2032.
A viabilidade de estadias prolongadas, que podem durar meses ou anos, impõe a análise de como o organismo humano reagirá a um ambiente com gravidade seis vezes menor que a terrestre. Damian Bailey, professor de fisiologia e bioquímica na Universidade do Sul de Gales, examina esses desafios biológicos em artigo publicado no The Conversation. O foco reside na sustentabilidade de uma presença humana no polo sul lunar, que serviria como laboratório para futuras expedições a Marte e outros pontos do sistema solar.
Além dos obstáculos tecnológicos de suporte vital e construção de habitats, a ausência da proteção magnética da Terra e a baixa gravidade alteram a circulação de oxigênio, sangue e fluidos essenciais. A exposição a fatores hostis, como radiação cósmica, poeira lunar tóxica, oscilações extremas de temperatura, confinamento e ciclos de sono irregulares, pode impactar o sistema cardiovascular, o metabolismo, a resposta imunológica, além de músculos, ossos e o cérebro. A radiação espacial, especificamente, é capaz de danificar o DNA e provocar alterações biológicas que podem se manifestar apenas após longos períodos.
Para mitigar esses riscos, a NASA propõe a implementação de nutrição personalizada, exercícios físicos adaptados à gravidade parcial, proteção dos habitats e monitoramento médico constante para a detecção precoce de anomalias.
A longo prazo, a adaptação sustentada a esses ambientes extremos levanta a possibilidade de mudanças evolutivas. O biólogo evolutivo Scott Solomon, autor de "Becoming Martian", argumenta que a colonização fora da Terra poderia criar uma nova via evolutiva, distinta do Homo sapiens, já que a espécie evoluiu sob condições específicas de radiação, microrganismos e gravidade terrestre. Solomon observa que, embora a gravidade de Marte seja 62% menor que a da Terra — quase o dobro da lunar —, a permanência em qualquer um desses mundos poderia gerar características biológicas distintas, embora essa transformação não ocorresse de forma imediata.