Ciência

NASA precisa reduzir peso de trajes espaciais para viabilizar a exploração de Marte

11 de Outubro de 2026 às 06:07 3 min de leitura

A NASA busca reduzir o peso do traje espacial para Marte para no máximo 104 kg, visando garantir a mobilidade e a sobrevivência dos astronautas. O modelo atual, xEMU, possui 170 kg, o que compromete a capacidade aeróbica e o retorno a pé à base em emergências. A proposta prevê um redesenho estrutural integrado, embora isso implique a redução de camadas de segurança

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NASA precisa reduzir peso de trajes espaciais para viabilizar a exploração de Marte
NASA

A NASA enfrenta um obstáculo técnico crítico para viabilizar a colonização de Marte: a necessidade de criar um traje espacial que equilibre a proteção contra o ambiente hostil do planeta com a mobilidade dos astronautas. Um estudo apresentado na 55ª Conferência Internacional de Sistemas Ambientais (ICES) indica que os modelos atuais são excessivamente pesados, o que pode comprometer a segurança e a execução das primeiras missões tripuladas.

O limite de peso para a exploração marciana

O foco da análise é o xEMU, traje desenvolvido para as missões Artemis. Embora possua estrutura modular e suporte a variações de pressão, sua massa de 170 kg é considerada inviável para a superfície de Marte, apesar de ser funcional na Lua devido à gravidade reduzida.

Para calcular a viabilidade operacional, os engenheiros basearam-se em um perfil de astronauta de 50 kg (quinto percentil feminino) e consideraram a degradação física da viagem interplanetária. A estimativa é que a capacidade aeróbica dos tripulantes caia entre 15% e 25% durante o trajeto, reduzindo a tolerância ao transporte de equipamentos pesados.

Diante disso, o estudo estabelece que o futuro MxEMU — a versão específica para Marte — deve ter no máximo 104 kg, o que exige uma redução de quase 40% em relação ao modelo atual.

A estratégia de "walkback" e a autonomia

A definição do peso máximo não visa apenas o conforto, mas a sobrevivência em cenários de emergência. O conceito de walkback prevê a necessidade de o astronauta retornar a pé para a base caso o veículo de exploração apresente falhas.

O peso do traje impacta diretamente dois fatores críticos:

  • Consumo de oxigênio: Trajes mais pesados elevam o gasto energético e a respiração.
  • Raio de operação: Mesmo com a redução de peso, estima-se que a distância segura de exploração seja de 1,8 km da base, considerando um retorno de 30 minutos a uma velocidade de 3,5 km/h.

Redesenho estrutural e riscos de segurança

Para atingir a meta de massa, os engenheiros sugerem uma mudança radical na arquitetura do equipamento. Atualmente, o sistema de suporte à vida portátil representa 60% do peso, enquanto o traje pressurizado responde pelos 40% restantes.

A proposta é substituir a modularidade do xEMU por uma filosofia de design integrada, similar à utilizada nas missões Apolo, onde componentes únicos cumprem múltiplas funções estruturais.

Essa transição, porém, implica a redução de camadas de segurança. Enquanto os trajes modernos suportam duas falhas simultâneas, os modelos inspirados na era Apollo resistiam a apenas uma. A aceitação desse risco torna-se, portanto, um ponto central para garantir a mobilidade e autonomia dos exploradores em Marte.

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