NASA prevê lançamento de observatório infravermelho para detectar asteroides com potencial catastrófico em 2027
A NASA lançará em setembro de 2027 o NEO Surveyor, observatório infravermelho posicionado no ponto L1 para detectar asteroides próximos à Terra. O equipamento visa localizar objetos escuros e monitorar rochas que orbitam entre o Sol e o planeta. A missão poderá identificar 90% dos asteroides com capacidade de destruir cidades
A NASA prevê para setembro de 2027 o lançamento do NEO Surveyor, um observatório infravermelho desenvolvido especificamente para a detecção de asteroides com potencial catastrófico. O projeto, que superou duas décadas de cortes orçamentários e propostas rejeitadas, visa preencher lacunas críticas na vigilância espacial, especialmente no monitoramento de objetos que orbitam entre a Terra e o Sol.
Atualmente, a capacidade de detecção de rochas espaciais é limitada. Dos cerca de 25 mil asteroides com mais de 140 metros de diâmetro próximos à Terra, menos da metade foi identificada. A situação é mais grave para objetos de 50 metros — dimensões suficientes para devastar uma metrópole —, dos quais apenas 7% foram detectados. A dificuldade reside no fato de que telescópios ópticos convencionais dependem de luz visível, tornando invisíveis os asteroides ricos em carbono e material escuro, que compõem 40% desses objetos.
Para solucionar esse problema, o NEO Surveyor será posicionado no ponto L1, uma região de equilíbrio gravitacional a 1,5 milhão de quilômetros da Terra. A partir dessa localização, o telescópio poderá observar a órbita terrestre em um ângulo de até 45 graus em relação ao Sol, operação impossível para observatórios terrestres. A tecnologia de infravermelho permite que qualquer asteroide brilhe independentemente da cor de sua superfície, possibilitando a detecção e o cálculo do diâmetro real do objeto com precisão de 10%.
A estrutura do observatório inclui detectores de última geração, painéis com tinta ultrablack e um para-sol espelhado de seis metros. A urgência da missão é exemplificada por eventos passados, como a explosão de um asteroide de 20 metros sobre Chelyabinsk, na Rússia, em 15 de fevereiro de 2013. Na ocasião, o objeto não foi detectado por vir da direção do Sol, resultando em uma onda de choque que hospitalizou 1.500 pessoas e liberou energia equivalente a 500 mil toneladas de TNT.
Esse incidente impulsionou a criação do Escritório de Coordenação de Defesa Planetária da NASA. O projeto, idealizado inicialmente por Amy Mainzer no início dos anos 2000 sob o nome NEOCam, deixou de ser uma proposta acadêmica para se tornar prioridade institucional em 2019, quando recebeu financiamento próprio. Simulações indicam que o NEO Surveyor poderá localizar 90% dos asteroides capazes de destruir cidades.
A necessidade do sistema foi reforçada recentemente pelo asteroide 2024 YR4. Detectado no final de 2024, o objeto de 60 metros apresentou, em fevereiro de 2025, uma probabilidade de 1 em 32 de impacto para 2032. Embora o risco tenha sido descartado após observações do telescópio James Webb, a NASA estima que o NEO Surveyor teria identificado a rocha já em 2012, eliminando incertezas orbitais.
Além da segurança planetária, a missão fornecerá dados sobre a composição e o formato de rochas espaciais, auxiliando na definição de estratégias de desvio, que variam conforme a densidade do objeto. Cientificamente, o observatório poderá investigar se asteroides ricos em água foram responsáveis pelo preenchimento dos oceanos terrestres.
Apesar de cortes em diversas missões de exploração do Sistema Solar na proposta orçamentária de 2025 da Casa Branca, o NEO Surveyor foi mantido, consolidando-se como um ponto de consenso político devido à natureza crítica de sua função.