Ciência

NASA propõe orçamento para retornar astronautas à superfície lunar até 2028

02 de Maio de 2026 às 06:11

A NASA propôs ao Congresso o orçamento para 2027, com a meta de levar astronautas à Lua até 2028 via programa Artemis. O plano prevê a criação de uma base lunar, internalização de contratos para reduzir custos e financiamento de missões como a Dragonfly. A agência também pretende fomentar a discussão sobre a reclassificação de Plutão como planeta

A NASA apresentou ao Congresso a proposta de orçamento para o ano fiscal de 2027, estabelecendo como meta central o retorno de astronautas americanos à superfície lunar até 2028. O plano, detalhado pelo administrador Jared Isaacman, fundamenta-se na campanha Artemis e prevê a ampliação de testes de pouso comercial e o desenvolvimento de sistemas para a implementação de uma base permanente na Lua. A estratégia visa transformar o satélite em uma infraestrutura de suporte para operações de longo prazo, atividades econômicas e ciência, servindo como campo de testes para tecnologias que serão posteriormente aplicadas em missões tripuladas a Marte.

A aceleração do cronograma lunar possui motivações geopolíticas, com o objetivo de assegurar a liderança dos Estados Unidos no espaço diante do avanço da China. Para viabilizar essa meta, a agência propõe uma reestruturação administrativa focada na redução de desperdícios. Isaacman baseou a necessidade de mudança em dados do Government Accountability Office de 2025, que apontam estouros de custo acumulados de aproximadamente US$ 15 bilhões em grandes projetos desde 2009. A solução proposta consiste em internalizar competências, substituindo milhares de contratos externos por servidores civis, medida que poderia liberar centenas de milhões de dólares para os objetivos principais da agência.

A expansão da presença lunar envolve a cooperação com a indústria privada para o transporte de habitats, rovers e equipamentos. Esse movimento está alinhado ao fomento de uma economia orbital comercial, com estações espaciais privadas preparadas para operar após a desativação da Estação Espacial Internacional (ISS) em 2030. Para garantir a sustentabilidade do acampamento lunar, especialmente durante os períodos de escuridão, a NASA prevê a utilização de sistemas de fissão nuclear.

Além do foco lunar, o orçamento de 2027 mantém o financiamento do telescópio Nancy Grace Roman e amplia os recursos para a missão Dragonfly. Esta última, com lançamento previsto para julho de 2028, utilizará um veículo nuclear para explorar Titã, lua de Saturno.

No campo da astronomia, a nova gestão pretende reabrir a discussão científica sobre a classificação de Plutão, com o intuito de restaurar seu status de planeta e homenagear Clyde Tombaugh, que descobriu o corpo celeste em 1930. Embora a decisão final caiba à União Astronômica Internacional, a NASA pretende publicar artigos para fomentar esse debate.

O conjunto de medidas para 2027 divide-se em três pilares: liderança no espaço profundo, fortalecimento da base industrial espacial e aceleração de inovações, buscando consolidar uma agência mais ágil e focada em resultados estratégicos.

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