Ciência

NASA usa rover Perseverance para testar resistência de trajes espaciais contra a poeira de Marte

05 de Novembro de 2026 às 06:00 2 min de leitura

A NASA utiliza o rover Perseverance para testar a resistência de tecidos de uniformes espaciais contra a poeira de Marte. O estudo identifica partículas ultrafinas e tóxicas que podem infiltrar trajes e atingir a corrente sanguínea de astronautas

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NASA usa rover Perseverance para testar resistência de trajes espaciais contra a poeira de Marte
NASA/JPL-Caltech/MSSS

A NASA está testando a resistência de materiais destinados a futuras missões tripuladas a Marte utilizando o rover Perseverance. Desde 2021, o veículo transporta fragmentos de 20 milímetros do tecido utilizado nos uniformes espaciais, com o objetivo de monitorar a interação desse material com a poeira do planeta vermelho e corrigir eventuais falhas estruturais.

Um estudo liderado por Scott VanBommel, da Universidade de Washington em St. Louis, publicado em 26 de outubro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), analisa a viabilidade desses trajes diante das condições atmosféricas marcianas.

Riscos da poeira marciana

A principal preocupação reside na composição e no tamanho das partículas suspensas em Marte. Através do instrumento Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry (PIXL), o Perseverance identificou a presença de partículas finas de 2,5 micrômetros e partículas ultrafinas de aproximadamente 100 nanômetros — dimensão cerca de 700 vezes menor que a de um fio de cabelo humano.

Diferente da poeira lunar, que causou danos físicos às viseiras e trajes nas missões Apollo nos anos 1960 e provocou sintomas respiratórios semelhantes à rinite alérgica nos astronautas, a poeira de Marte apresenta características distintas:

  • Morfologia: As partículas são arredondadas devido à erosão eólica ocorrida ao longo de bilhões de anos, o que resultou em menor desgaste visível nos tecidos testados após 1.645 dias marcianos de exposição.
  • Toxicidade: O material é composto por elementos perigosos, como percloratos, enxofre, ferro e sílica.

Impactos na saúde e engenharia

Embora a exposição breve a esses compostos não represente uma ameaça imediata, a natureza ultrafina das partículas aumenta o risco de contaminação. Na Terra, poluentes com dimensões semelhantes conseguem penetrar profundamente nos pulmões e atingir a corrente sanguínea, podendo chegar ao cérebro.

Como a poeira marciana é altamente tóxica e microscópica, o risco de infiltração nos uniformes e a consequente inalação pelos astronautas exigem rigor no planejamento. VanBommel ressalta que, embora a atmosfera de Marte não seja respirável, a engenharia de habitats, filtros de ar e trajes espaciais deve ser projetada especificamente para barrar essas partículas e garantir a segurança biológica dos exploradores.

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