Ciência

Neil deGrasse Tyson analisa a busca por vida extraterrestre como reflexo da existência humana

16 de Outubro de 2026 às 18:11 2 min de leitura

O astrofísico Neil deGrasse Tyson afirmou, no podcast The Diary of a CEO, que a busca por vida extraterrestre reflete a tentativa humana de compreender sua existência e posição no cosmos. O cientista relacionou esse interesse a raízes biológicas e à evolução de narrativas ancestrais sobre divindades e entidades celestes

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Neil deGrasse Tyson analisa a busca por vida extraterrestre como reflexo da existência humana
EFE/Cristina Magdaleno

A busca por vida extraterrestre é classificada pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson como uma das questões fundamentais da humanidade. Em diálogo com Steven Bartlett no podcast The Diary of a CEO, o cientista analisou como o questionamento sobre a solidão da espécie no universo reflete, na verdade, a tentativa humana de compreender a própria existência e a posição que ocupa no cosmos.

A influência cultural e a curiosidade ancestral

Para Tyson, a fascinação contemporânea por seres de outros mundos é amplificada pela cultura popular, que molda crenças sobre fenômenos de difícil comprovação. Essa curiosidade, no entanto, costuma ser a porta de entrada para reflexões mais profundas, que abrangem desde o destino final do universo até a existência de Deus.

O astrofísico propõe que esse interesse pelo firmamento possua raízes biológicas e comportamentais antigas. Em uma hipótese pessoal, ele sugere que a simples observação noturna de elementos como a Lua, planetas e meteoros, que alteram sua aparência e posição, teria instigado a curiosidade humana muito antes do surgimento da astronomia moderna.

Vulnerabilidade e a hierarquia cósmica

Durante a conversa, Bartlett relacionou a capacidade humana de dormir em posições vulneráveis ao fato de a espécie ser um predador alfa, situando-se no topo da cadeia alimentar terrestre. Tyson expandiu esse raciocínio ao sugerir que o interesse por extraterrestres pode derivar do fato de que tais seres representariam uma das poucas ameaças capazes de desafiar essa posição de dominância.

De divindades a alienígenas

O cientista argumenta que a concepção moderna de vida alienígena é uma evolução de narrativas antigas. Sociedades passadas não imaginavam extraterrestres nos moldes atuais, mas criavam deuses e entidades celestes para explicar o desconhecido.

Tyson exemplifica essa tendência citando:

  • A localização de divindades em lugares elevados, como o Monte Olimpo na Grécia;
  • Representações religiosas envolvendo nuvens e raios de luz;
  • Criaturas míticas, como a Medusa, cujas características exóticas se assemelham à estranheza atribuída aos alienígenas hoje.

Nesse sentido, a capacidade de conceber seres com poderes e formas que superam a realidade terrestre é um traço constante da psique humana. A pergunta sobre a existência de vida fora da Terra funciona, portanto, como uma atualização de uma indagação ancestral sobre o lugar da humanidade no universo.

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